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Resenha || Ninja Angel Sayuri - A Lenda da Otaku

 Eu já fiz uma postagem do que eu estava achando desse livro nas primeiras páginas, para quem ainda não leu, é só clicar aqui pra conferir. Foi um livro que na primeira página já me surpreendeu. O fato da surpresa é o narrador, recurso que pode ser tão rico se bem utilizado, mas que quase nenhum autor inova em narrativas em terceira pessoa. Só por alto, lembro do narrador de Além da Magia, que era algo como um personagem que tudo observava e em Ever After High, que ele conversava com você como alguém que tudo sabe e tudo vê. Aqui, nessa obra, o narrador também é um pensante crítico que trás comentários voraz, ácidos e bem sagazes a obra, dando até pinceladas de acontecimentos bem atuais em alguns momentos. 

A história se passa no presente, e não é em nenhuma terra distante, é aqui no Brasil, numa cidadezinha Couto da Mata, que pode ser comparada a qualquer cidade brasileira, mas que tem a peculiaridade de ter sido fundada por magos. Esses magos lembram muito alguns políticos brasileiros em seu modo de pensar e agir? Sim, mas são meros detalhes a ser observados. 

E mesmo com todas os problemas que Couto da Mata tem (como toda cidade brasileira), temos o outro lado da história que acontece alguns anos atrás (e coloca anos atrás nisso, praticamente uns 3 mil anos)... onde a história da personagem Teresa começa. Teresa era algo mais perto de melhor amiga que a nossa protagonista pode ter. E porque citei isso? Isso vai ser importante pra a construção da nossa história . 

Acontece que Teresa, assim como os fundadores de Couto de Mata, tem uma coisa especial. Para quem está prestando atenção nessa resenha, acertou: ela também é usuária de magia. E uma bem especial, que salvará (literalmente) nossa protagonista Suzana e apresentará a esse universo mágico, rico e perigoso.

Então, Suzana é apresentada a uma nova Couto da Mata, a que a magia existe e tem gente poderosa atrás de ainda mais. E nessa nova realidade onde ela também pode ter poderes mágicos, nossa Otaku é criada. 

Ah, eu realmente esqueci de citar algo bem importante para a construção da Suzana: ela é otaku. Mas aquelas bem fanáticas mesmo, do tipo que tem coleções de mangás, pôsteres pela casa, bonequinhos e conhece todas as falas dos animes, até daqueles mais desconhecidos (sei, eu acho que acabei me descrevendo aqui também). E isso é fundamental pois, isso molda muito dos seus pensamentos e seu jeito de agir no decorrer do livro. 

Eu simplesmente adorei o jeito que o autor retrata a sua história (e estou louca para ter o livro 2 dessa saga). Consegui me identificar muito rápido com a Suzana, que consegue ser otaku de carteirinha que nem eu e por ela ser assim, nos proporciona muitos clichês de anime, principalmente shounen, e eu adorei reconhecer eles (e também ver a indignação do narrador em fazer esses clichês para a narrativa continuar - risos). 

É pertinente que o autor conseguiu fazer uma cidade comum, como tantas outras Brasil afora, pudesse oferecer um grande drama e ação para o leitor. Não precisando recorrer a criar um mundo fantástico que não fosse a nossa própria realidade. Isso foi uma sacada e tanto desse livro. Mal posso esperar o segundo volume dessa série, pois quero ver até onde a ingenuidade o encantamento da Suzana em fazer os animes virar realidade pode levá-la. 

Queria mesmo falar ainda mais dessa obra, porque sinto que não falei ainda o quanto me surpreendeu e me impactou, porém corro risco de falar demais da obra e simplesmente estragar a leitura de alguém. Se tiverem oportunidade de ler, leiam, não vão se arrepender. 

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