Quis uma experiência de ouvir um audiobook, pois tinha um (pré)conceito sobre esse tipo de mídia , já que me disperso muito rápido quando estou só ouvindo algo (querendo sempre fazer alguma atividade em paralelo, e assim perco o foco no que estou escutando). Mas a experiência foi melhor que eu esperava. Gostei principalmente em poder escutar no carro, quando estou dirigindo. Substituiu ouvir aleatoriedades no rádio. O livro escolhido foi O App do Amor , que estava disponível na minha estante da Skeelo. Vi que era relativamente curto, e um enredo mais leve que conseguiria focar sem esforço, por ser o primeiro audiobook, fiquei com receio de não conseguir. Sobre o livro, o enredo começa com a Melissa , uma estudante de TI, que depois de levar "um perdido" de um cara, que até foi no encontro, mas sumiu logo em seguida. Assim, decide mudar o seu projeto desenvolvido para concorrer ao prêmio de incentivo da faculdade. O app, que anteriormente prometia en...
Escândalo. Polêmicas e uma fome por bola.
Nunca achei que ia gostar tanto de ler sobre futebol (e conhecer um pouco mais sobre o esporte no processo). Aqui temos a história de Edinho Meteoro, um craque no futebol brasileiro, mas que por jogar justamente o símbolo do país, é duramente criticado e deixado a própria sorte quando é arrancado do armário a força.
Edinho é envolvente, e muito carismático (e até inocente na maioria das vezes). Ele é o típico mocinho de novelas. Adoro. Mas no começo, achei meio chato, pois ele era muito duro consigo mesmo. Mas o livro abriu minha mente para a trilha de autodescoberta que Edinho teve. E isso ganhou muitos pontos comigo.
"A dificuldade estava em amar a si mesmo. Ele sempre teve uma leve tendência a olhar para os outros com lentes muito mais suaves do que as que usava para si mesmo."
O livro trás muito sobre autodescoberta e amor próprio, algo que muita gente ainda deixa para segundo plano, algo que devia ser intrinsecamente nosso. Amor próprio é algo que todos deveriam cultivar. Acredito que até para amar o outro, tem que amar primeiro a si mesmo. E Edinho entende isso no decorrer do livro.
Um menino que cresceu com um pai Homofobico, uma sociedade cisheteronormativa que não tolera a diversidade principalmente no futebol, um dos esportes mais machistas do mundo, era muito difícil ele realmente se aceitar e sair das amarras que impusseram a ele (e ele mesmo impôs algumas para ser "aceito").
É triste de se pensar que, em pleno 2024 (ou 2026, quando se passa o livro) a pessoa tem que se reafirmar o que é, se "assumir" para uma sociedade e sofrer com isso. É triste que ainda temos que bater muito nessa tecla. A reflexão que o autor trás por traz desse romance, é de um apelo para que, algo que fora criado para unir o mundo, não seja usado para segregar mais ainda ele. O esporte foi usado por muito tempo para unir nações — e não falamos apenas do futebol. Mas a cada dia, as coisas estão sendo mais radicalizadas, e é triste saber que estamos regredindo em várias coisas como sociedade.
Edinho tem muito a nos ensinar neste livro. E não é apenas sobre romance e futebol, mas é enxergar toda essa diversidade LGBTQIAP+ e a respeitá-los. Esse livro mostra todo o cuidado do autor em nos contextualizar com histórias tanto do esporte mais amado do Brasil, quanto da comunidade queer. É mais que um romance água com açúcar, mas um livro para refletir sobre muitas coisas.
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