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Vamos falar de parceria? || Opiniões Polêmicas

Eu sei, eu sei. Serei massacrada com esse texto. Mas preciso falar e até desabafar.  Tenho esse blog há 14 anos, comecei em 2012, onde tudo era mato, não existia inscrições de parceria anuais com editoras, autor nacional nem era tão disseminado assim, quase não existia publicação independente de largo alcance nacional e nem Amazon tinha no Brasil vendendo ebook.  Sim, tudo mato a ser desbravado.  E nessa época, onde as coisas começavam a engatinhar, editoras mandavam livros pontuais a alguns blogs e criadores de conteúdo publicar textos sobre o livro. Como faziam com jornalistas também. Não existia criação para redes sociais, nem o Instagram existia e YouTube era só um repositório de vídeos comuns – sem a grandeza de produções de conteúdo como hoje.  E também tinha os autores nacionais começando a despertar para divulgações nacionais. Entravam em contato com blogs que gostavam, que poderia ter afinidade com o gênero do livro e enviava o mesmo para o criador ler e fal...

Vamos falar de parceria? || Opiniões Polêmicas

Eu sei, eu sei. Serei massacrada com esse texto. Mas preciso falar e até desabafar. 


Tenho esse blog há 14 anos, comecei em 2012, onde tudo era mato, não existia inscrições de parceria anuais com editoras, autor nacional nem era tão disseminado assim, quase não existia publicação independente de largo alcance nacional e nem Amazon tinha no Brasil vendendo ebook.  Sim, tudo mato a ser desbravado. 

E nessa época, onde as coisas começavam a engatinhar, editoras mandavam livros pontuais a alguns blogs e criadores de conteúdo publicar textos sobre o livro. Como faziam com jornalistas também. Não existia criação para redes sociais, nem o Instagram existia e YouTube era só um repositório de vídeos comuns – sem a grandeza de produções de conteúdo como hoje. 

E também tinha os autores nacionais começando a despertar para divulgações nacionais. Entravam em contato com blogs que gostavam, que poderia ter afinidade com o gênero do livro e enviava o mesmo para o criador ler e falar o que achou. Nem PDF circulava direito, então ia livro físico mesmo. 

Até que chegou a modalidade de "livro viajante", quando o autor não tinha dinheiro pra fazer tantos livros, ele escolhia um grupo de blogueiros e o mesmo livro viajava casa por casa para ser lido e resenhado e por último ele era sorteado entre os participantes. Precisava de uma certa confiança entre o grupo? Sim, mas era muito divertido essas dinâmicas. 

Nesses 14 anos muita coisa evoluiu: editoras grandes e consolidadas realmente viram o potencial dos criadores de nicho como forma de divulgação mais barata em troca dos lançamentos deles. Editoras pequenas ganham o mesmo espaço, se consolidados com base de fãs em suas redes sociais. E autores nacionais ganham mais ferramentas que apoiam suas publicações – como a possibilidade de lançar ebooks em plataforma como a da Amazon e ter a facilidade de serem lidos em assinaturas como o Kindle Unlimited. 

Mas aí a coisa desanda, ao meu ver, pois ao mesmo tempo que toda essa indústria cresce em volta do criador de conteúdo, temos alguns problemas: a conciliação do tempo em ler, criar e ter outras responsabilidades, afinal são poucos o que conseguem fazer de suas redes sociais e conteúdos a sua fonte principal de renda. Vem o Burnout em algo que era para muitos o hobby, que agora tem cobranças. E vem também parcerias que, ao meu ver, não são parcerias.

Quando há uns anos atrás, era de conhecimento mutuo de que você receberia o livro físico ou o ebook para fazer o conteúdo, hoje surgiu a parceria por ranqueamento, por exemplo, onde se instaura uma competição entre os criadores de conteúdo para que eles consigam pontos para ganhar coisas – e a maioria dessas parcerias, além de pedir mil conteúdos diferentes (claro que você faz se quiser), ainda vem explícito que para receber o livro completo você tem que ter KU pra ler por lá ou comprar o ebook. E eu vou dizer porque não concordo com essa modalidade de parceria onde o criador tem que comprar o ebook (e agora que é a parte que muitos criadores, principalmente os mais novos, não vão gostar de nada da minha opinião). 

Já disse que nosso tempo é limitado, a maioria não ganha pra fazer o seu perfil, blog, videos etc. Assinam o KU as vezes do próprio bolso já que não há capital girando pro blog se pagar, mas KU é ferramenta do "trabalho" de criação de conteúdo literário. Conseguir publicidade (sim, receber pra indicar o produto pra sua base de seguidores) é inexistente para a maioria, e também não é todo autor que vai conseguir fazer isso com vários criadores para ter seu livro conhecido. Então é pra isso que serve a parceria: divulgação em massa para várias bases de seguidores conhecer o livro e se interessar. E não precisar pagar o valor de publicidade para cada blogueiro que querer que leia seu livro. Mas acredito que, no mínimo, um e-book precisa ser cedido, o que a maioria das parcerias hoje em dia não faz. 


E eu digo pq eu falo que é o mínimo: o criador gasta seu tempo (que já é uma ferramenta escassa para fazer as coisas no dia a dia) entre ler, criar o texto, o roteiro, editar imagens e vídeos, ser criativo, para ter que ainda pagar pra criar aquele conteúdo. Para quem sabe, ganhar brindes/mimos, principalmente se falarmos de parceria de ranking e sorteios.

Numa publicidade formal, acredito que sim o criador deve adquirir o livro, o material necessário etc. Até porque vai ser pago para excecer aquele serviço. Mas parceria é algo que tem que ser vantajoso pra ambos os lados, e vejo muita das vezes métodos de parceria que sobrecarrega o criador em diversas maneiras que nem valem a pena, diga-se de passagem. 

Não dá pra comprar Ebook com o marcador de página que dão no final da parceria – e pasmem! Só dão para aqueles que mais spanou seus seguidores com conteúdo de um único livro). O autor consegue uma visualização e divulgação massiva do seu trabalho, de forma mais conveniente possível, e o blogueiro acha que com isso está sendo super valorizado quando se mata de se dedicar aquela única parceria. E isso vai se repetindo parceria por parceria. 

Não quero ser a vovó da blogosfera, onde digo no meu tempo não era assim, mas precisava desabafar isso, pois acho que ficou até meio precário para criadores de conteúdo, que aceitam muito pouco pra tanto trabalho. Podem até dizer "ah, mas o autor gasta tanto na publicação do livro, na confecção de brindes, no mínimo precisamos entender o lado dele". E eu, de fato, acredito que não é fácil ser autor nacional, realmente. Vi isso por 14 anos de perto – já fiz colunas como a Selo Tupiniquim para divulgar o que é produzido no nosso país, e tudo de graça, porém o fato que nosso trabalho como criador de conteúdo também não é fácil, não é só sentar e escrever deliberadamente. É necessário bagagem literária, ler o livro em específico, criar conteúdos diferentes por meio daquele texto lido. E isso não é somente cuspido na frente do computador. É um trabalho bom e árduo que não se ganha praticamente nada no retorno, a não ser o reconhecimento dos seguidores. 

Dito isso, acho péssimo de como foi degradando a palavra parceria na comunidade literária como todo, como foi-se aceitando as coisas serem "rebaixadas" e até criarem rivalidades entre criadores. E antes que venham falar: "é só não se inscrever", "não participa então". Eu realmente não me inscrevo e não participo, simplesmente porque essa é a minha opinião mesmo sobre tudo isso. E não me sentiria valorizada por uma parceria dessas, onde eu não veria vantagens iguais para os dois lados. 

 Não irei mais delongar meu desabafo, se algum autor(a) se magoar com o que foi falado, peço desculpas, mas peço também, se você faz esse tipo de parceria, que repense suas estratégias. E aos colegas de blogosfera, que valorizem mais seu tempo, tempo cada vez mais vale ouro na nossa realidade. 

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