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Crítica || O Poço

Pensei em escrever ou não sobre esse filme - e de madrugada (no dia que eu escrevi esse texto) eu discuti sobre o filme com meu namorado e enfim, decidi postar esse texto no blog. Tem milhões de textos sobre esse filme na internet e possivelmente o meu vai ser só mais um. Mas não me importo.

Esse filme dá muito para pensar - e a análise mais óbvia desse filme é sobre o paralelo a nossa sociedade. Eu encaro o poço como um experimento social feito pelo governo, imitando de forma extrema a sociedade com a hierarquia de classes sendo representada pelos andares. 

O Poço poderia ser uma ferramenta que instigasse a cooperação dos prisioneiros, que a cada 30 dias trocam de posições (andares) do poço. Uma vez estando embaixo com escassez de comida, quando fosse para cima podia ter consciência e fazer sua parte para igualar a comida para todos. Porém vemos uma sociedade sem compaixão ao próximo. 

Acho interessante que em tempos de Convid-19, esse filme estreie na netflix. A sociedade está vivendo seu próprio Poço e a população não está sabendo cooperar coletivamente. Um exemplo disso é a estocagem de comida e álcool em gel, fazendo que os mesmos ficassem escassos nos mercados.

Uma vez no topo as pessoas não se enxergam no risco que os debaixo deles passam. Como Luide (blog Amigos do Fórum) fala: "Em O Poço, os que estão livres da fome também não cogitam que outros podem morrer dela. Mas lembre-se: isso é momentâneo". 

Há uma luta de classe sendo formentada para mudar a realidade do poço, que é quando o protagonistas decide descer até o fundo e depois subir até o topo levando uma mensagem a administração. 

  • Simbologias
Esse filme tem diversas simbologias inseridas em suas entrelinhas. 

Alguns fazem paralelo do Poço com o inferno. A quantidade de andares é 333 e temos 2 prisioneiros por andar, fazendo com que sejam 666 participantes - o número da besta. 

A ideia da criança seja a mensagem é também a mensagem da esperança. Quando se chega até o fim do poço, só existe um lugar para ir: para cima e isso é a esperança que se encontra no fim do poço. Lembrando que não era para ter crianças no poço, como é dito pela funcionária que foi para lá. Ou seja, há algo de errado com a administração do poço e a criança diz isso. Fará que mais gente ver esse erro e poderá mudar a realidade. 

Há também o paralelo dos 7 pecados capitais com os acontecimentos desse filme. 

Avareza - O apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais. Representado pelo velho e sua samurai plus, a faca que ele levou para o poço. Ele revela que ficou hipnotizado no anuncio da faca e nem chegou a usá-la em casa e já comprou a nova anunciada. 

Ira - O intenso e descontrolado sentimento de raiva, ódio, rancor que pode ou não gerar sentimento de vingança. Até onde me lembro é o segundo pecado que nos é apresentado. É quando nosso protagonista, quando se liberta das amarras que o velho o prendeu, o ataca com Ira e o mata agressivamente.  

Luxúria - o desejo passional e egoísta por todo prazer sensual e material. No mesmo andar que o protagonista mata o velho, ele o devora em cenas gore e pratica sexo com a mulher. 

Gula - O desejo insaciável, além do necessário, em geral, por comida, bebidas ou drogas. Nem precisa de explicação, o filme mostra de forma escancarada nos andares superiores. 

Inveja - prioriza o status de outa pessoa no lugar de suas próprias bençãos. Querer está nos andares superiores, não se contentar em um andar bom, querendo está mais lá em cima. 

Eu ainda quero rever o filme novamente, para anotar cada andar que o protagonista passou para ver o que diz a numerologia. Sim, acho que surtei com esse filme. Espero que vocês tenham gostado desse texto e esperem a parte 2, em breve (se eu criar a coragem e deixar a preguiça de lado para rever o filme, porque ele é tão longo). 

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