Qual é a essência do terror japonês (J-Terror)?
Já
faz algum tempo (deste da feira do livro que teve aqui em São Luis, em novembro)
que comprei e li The Ring, o mangá de “O chamado”. Sim, aquele filme japonês da
garotinha que caiu no poço.

Não foi o caso de Ring. Não vi o filme (e não estou nem um pouco a
vontade de assisti-lo depois da experiência com o mangá). Para quem não sabia,
o mangá The Ring fora o que originou o filme O chamado que todos adoram e
comentam até hoje. Diferente do terror americano que se afirma em alienígenas e
um grupo de amigos que viajam e são mortos por serial killers, ou as raras
vezes de possessões demoníacas, o J-Terror buscam inspiração em seu riquíssimo folclore
com fantasmas e maldições, que já fazem parte da tradição popular.
Como observamos, o terror japonês é único, com um aspecto bizarro
bastante característico oriental, e em suas obras literárias não pode ser
diferente. Ring impressiona em casa traço
de seus personagens (e chego a realmente acreditar que estou vendo fantasmas
aqui realmente comigo). Podem perceber que fiquei bastante aterrorizada, talvez
seja o fato que não estou acostumada com obras de horror, mas também deva-se o
fato que o desenhista de Ring realmente tem talento para causar uma boa
impressão em seus leitores.

Sadako é a personagem que no filme americano tem o nome de Samara. Ela
é um Yurei (nome dado a fantasmas do folclore japonês onde ficam presos a terra
por assuntos inacabados, escravos de seus próprios sentimentos). Realmente a
caça a respostas da fita que mata alguns estudantes leva a essa garota que foi
morta. Vi o quanto o povo japonês ainda é preso ao mundo místico tão comum nos
animes, mangás e filmes de seu coditiano.
A frustração maior de Ring é que não se tem uma resposta exata de como
acabar com a maldição da yurei Sadako, apesar de uma “vitima” ser salva. Muito
pelo contrario, o mangá mostra que a historia é apenas um circulo vicioso que
talvez nunca terá um fim.
Sei que não tenho muitas palavras para descrever o que a leitura de
Ring me proporcionou, já que, ao final da leitura, fiquei com a impressão de
que tinha fantasmas em minha espreita esperando eu baixar a guarda e me
matarem. Passei dias sem dormir direito e agora que lembrei para escrever para
vocês, estou novamente com medo de apagar as luzes (risos).
Enfim, um mangá tão bom como esse deve ser lido (mas apenas se gostarem
do tema ali proposto, se for uma medrosa como eu, passe bem longe da capa).
The Ring foi uma publicação da Conrad, em dois volumes.
"A frustração maior de Ring é que não se tem uma resposta exata de como acabar com a maldição da yurei Sadako, apesar de uma “vitima” ser salva. Muito pelo contrario, o mangá mostra que a historia é apenas um circulo vicioso que talvez nunca terá um fim."
ResponderExcluir"Resposta" e "final feliz" (ou TER algum final), não são características tão valorizadas no japão a séculos. Se você se frustrou é por causa do costume das histórias que conheceu em toda sua vida, numa cultura ocidental acostumada com alguns costumes como finais felizes, dicotomia entre bem e mal etc.