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Resenha || Se a Casa 8 falasse


Eu amei esse livro. Confesso que foi bem estranho no início se acostumar com um narrador casa, mas as piadas de casa são bem legais e depois de um tempo, você até esquece que é a casa que está narrando a história - até chegar nas piadas de casa novamente. 

A história foca em 3 tempos: 2000, 2010 e 2020 - assim, conhecemos 3 famílias distintas. Primeiro a Ana e seu pai Celso; segundo a Catarina e seu sobrinho Greg e por ultimo Beto, sua irmã Lara e a mãe (que esqueci o nome). O legal que ela conta os romances desses moradores: Ana, Beto e Greg, e todos os 3 são gays. 

Ana é uma adolescente que acha que sua vida está indo de mal a pior quando recebe uma notícia do pai que vai mudar sua vida drasticamente. Greg, pros seus pais fugirem da responsabilidade de contar sobre o divorcio, manda seu filho adolescente pra passar umas semanas com a tia e acaba se apaixonando fortemente e vivendo seu primeiro amor. E Beto, que já está chegando na fase de jovem adulto, vive em uma plena pandemia em 2020 e está vendo seus planos indo por água abaixo. Eu consigo me identificar com os 3, em suas ansiedades e algumas vezes na negatividade de encarar uma situação. Eu também sou assim, as vezes somos assim para não criar expectativas demais, esperança demais e quebrar ainda mais a cara. E vejo muito isso, principalmente no Beto. 

O livro foi terminando e eu fui ficando aflita, pois tudo parecia desandar e dar errado pros protagonistas, pros 3. Não sei o que estava esperando de final feliz de algo que eles não poderiam escolher - pois muitos foram adversidades da vida, mas esperava que as coisas dessem na forma mais certa e feliz possível. Porém, por um toque de maestria em escrita, o nosso autor consegue pincelar e mostrar o futuro de alguns - acalmando minha curiosidade de fofoqueira literária.  E não é de todo mal, é uma amostra da vida, que apesar das idas e vindas do dia-a-dia, que engole muitos sonhos que acabam não se tornando exatamente do jeito que planejamos, ainda sim acontece alguma coisa boa. 

Foi uma ótima leitura, ver frações da vida de uma pessoa dentro do que sempre se chama lar, onde acontece coisas que só as paredes são nossas cumplices, onde nos sentimos acolhidos e algumas vezes fora do ninho, mas ainda sim é nosso lar. 

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