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Resenha || Primavera 98

Esse mês acabei lendo dois "yuris". Para quem não é otaku raiz, saiba que yuri é como se denomina histórias que abordam romances de 2 mulheres. E eu realmente, apesar de ler muito yaoi por ai, nunca cheguei de fato a sentar e ler coisas relacionadas ao "outro lado da moeda". E esse mês li duas obras que tem como temática o relacionamento lesbico: Laura Dean Vive Terminando Comigo e o lançamento Primavera 98.

E hoje vamos falar de Primavera 98, lançamento da Editora Serpentine, nossa mais nova parceira de 2021. Esse livro mostra um romance lindo entre duas amigas, e o mais legal é que você amadurece com elas e vê os preconceitos e as invalidades que elas sofrem até por pessoas que deveriam ser as pessoas que as fortalecem e as ajudam a passar pelo julgamento dos demais - como os pais. 

Eu gostei muito da escrita, que mostra todas as inseguranças, dúvidas e tudo que as meninas estavam sentindo. Consegui sentir tudo pela escrita, a autora está de parabéns nesse quesito. 

O relacionamento das meninas é apaixonante! Não nasceu de traumas delas, não nasceu por pressão, nada que muitos pensam que fazem as pessoas escolherem amar alguém do mesmo sexo - o que é ridículo e de um preconceito/homofobia tão grande! Nasceu de forma natural, afinal, não escolhemos por quem vamos nos apaixonar e amar, apenas nos apaixonamos. E isso não entra escolha de gênero nem nada, nos apaixonamos por pessoas, e não por sexo. Eu sempre acreditei nisso. E esse livro só reforça o que eu penso. 

Sempre vivemos um grande amor na nossa vida, sabe, independente da sexualidade dele. Sempre temos aquele amor intenso, verdadeiro, de descobertas... E as vezes, ele não dá certo, mas nos edifica naquele tempo e nos faz crescer e amadurecer - e vejo que esse foi o amor da Bru e Gi. Li esse livro em um dia, pois eram apenas 198 páginas, foi apaixonante e a narrativa é fluida. 

PS: Agora pode conter um grande spoiler, mas preciso fazer isso novamente. Eu preciso falar que eu não consigo engolir esse final e fiquei totalmente indignada. Eu realmente não "tankei" esse final, como os gamers falam. Como disse no paragrafo anterior, todos nós temos um amor que foi o grande amor da nossa vida. E as vezes, ele mesmo intenso, verdadeiro, cheio de descobertas, ele também é dramático, difícil, complexo... E as vezes não dá certo. É a vida, mas as vezes isso te deixa quebrado e super em cacos... Te deixa com traumas, te deixa um pouco vazio por um bom tempo e as vezes você se resigna. E eu sinto isso com a Gi, e até com a Bruna, acho que elas se resignaram pelos outros, pela escolha que os outros tinham de vida perfeita pra elas - Principalmente o pai da Bruna tinha para com a filha. E não me sai da cabeça, que mesmo eles podendo se apaixonar depois por outras pessoas, nunca vai ser aquele grande amor... Nunca vai ser o que realmente poderia ter sido a felicidade delas. E isso, me fez pensar um pouco do meu passado. E as coisas que acabei não vivendo por algumas escolhas... 

Enfim, é isso. Eu acho que elas se resignaram e perderam as forças por lutarem pela felicidade. E fica a grande questão do "e se" no final, principalmente pra a Gi, a que narra a história. 

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