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W.I.T.C.H. || Revisitando os quadrinhos clássicos — Volume 01, Saga Meridian

 Eu sempre gostei de coisas místicas, bruxas, garotas mágicas... Talvez por nascer na sexta, 13, eu acabei tomando para mim esse gosto peculiar para magias e misticismo. E quando eu era uma jovem adolescente, existia uma revista chamada W.I.T.C.H. publicada pela Editora Abril que trazia história serializada de um grupo de garotas mágicas que tem como dever proteger portais de uma terra mística. Foi aí, caros leitores, que eu descobri o poder maior dos quadrinhos (para quem era habituada apenas com coisas tipo Turma da Mônica e Mickey clássico, esses quadrinhos abriram horizonte). Peguei, infelizmente, o barco andando, então nunca consegui as primeiras edições na época (e estou pensando em completar a minha coleção como meta — igual fiz com os Ursos da Parmalat, e consegui!). Então na época nunca cheguei a ler na íntegra.  Mas agora, por meios não oficiais, consigo ter acesso a história clássica e resolvi, enquanto espero o primeiro volume do Reboot que será lançado pela Unive...

Resenha || É Assim que Acaba

Eu ia começar essa resenha falando da minha paixão pelo casal Ryle e Lily. Até comentei o que eu fazia gosto ao casal e estava shippando. Escutei uma música (Pupila) e ia dedicar a mesma para ser uma música dos dois... Ah, doce ilusão. 

Para quem não sabia, eu escrevo num diário as impressões, relações, citações etc que vão me chamando atenção ao longo da leitura. Tudo ajuda na hora de escrever a postagem. E eu pensei logo em arrancar a pagina que acho os dois fofos e torço por eles. Mas decidi que não. Eu vou manter pois foi uma parte da leitura em que eu estava empolgada e deslumbrada, como a Lily.

Eu percebi que é isso que acontece nos relacionamentos, ficamos deslumbrados com o que o parceiro nos mostra deles e fantasiamos o que esperamos do próximo. Mas nessa fase, sinceramente, não conhecemos o outro, o que ele é capaz de fazer. É o triste ditado: "quem vê cara, não vê coração".

Eu tinha esquecido como gostava de ler coisas bobinhas como romance água com açúcar, como a leitura é fluida e fácil. Mas claro que esse livro só começa como um romance intenso, fugaz e apaixonante. Depois ele escalona tão rápido em tão pouco tempo e um monstro mostra as garras. 

A autora fala de forma suscita e sem rodeios sobre abuso e violência doméstica. É um tapa na cara e conseguimos entender um pouco o que se passa na cabeça tanto de uma criança que cresce com isso, tanto de alguém que é vitima do seu parceiro. As duvidas, os anseios e as "passadas de pano". É um assunto que envolve muito mais que violência, mas uma dependência extrema do afeto envolvido em outras situações que levam a vitima a "suportar", mesmo se quebrando totalmente por dentro. 

Fiquei com ódio. Ódio pela Lily que mesmo tão decidida, acabou passando pela mesma situação da mãe. Mas tive alivio, por ela abrir os olhos antes que as coisas piorassem de vez.

Vi minha paixão avassaladora por um personagem acabar num piscar dos olhos e ao mesmo tempo retornar só para ser esmagada novamente. Tentei me enganar junto com a protagonista dizendo que era só um erro, aceitar as desculpas, que ele não era assim... e quebrar mais ainda a cara. 

Claro que isso nunca vai ser comparado a passar por uma verdadeira situação de violência (e pelo amor de rodos os deuses e santos, nunca quero ter esse tipo de experiência), mas fica a ideia. Fica o conselho de não julgar por fora o que você pode ver no noticiário ou na vizinhança. Não é fácil assumir e ter a coragem de abandonar tudo, mesmo sendo para um bem maior. 

O livro acaba funcionando como um tapa na cara e uma ferramenta de reflexão para se identificar mais com o que a vitima pode passar... 

E tenho certeza que essa não vai ser a única vez que eu vou ainda falar dele aqui no blog, pois quero fazer mais uma postagem depois da reunião do clube do livro, mais voltado as reflexões que o grupo fez e trazer mais dados.

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