"É isso que a lei é:
Palpites instruídos sobre o que é certo e errado" - página 177
Preciso dizer que estava empolgada deste que vi o
booktrailer do livro. Mas depois de algumas criticas de amigas leitoras que concluíram
a leitura primeiro que eu, abaixei as expectativas, mas ainda mantive a
empolgação.
E acho que isso foi a atitude decisiva para eu gostar do livro: não ir com sede ao pote. Preciso logo dizer que o que foi visto no booktrailer, a cena da fragmentação, que seria o suprassumo do livro, não acontece de imediato e nem é o coração do livro em si. Foi uma ótima cena para empolgar e alavancar as vendas, confesso, mas não resume em nada o que é o livro. E se tirar as impressões do que você acredita que será o livro quando vê aquele vídeo, pode dizer: o livro é totalmente diferente do que você esperará. Mas não chega a ser decepcionante, muito pelo contrário, o livro é bom, diria ótimo - mas com ressalvas!

É tipo você ser doador de órgãos, mas outras pessoas optando
isso por você bem na metade de sua vida, afinal, atualmente só doa órgãos
depois que a pessoa em questão falece e seus órgãos podem salvar vidas. Aqui na
fragmentação tudo é aproveitado: ossos, tecidos, órgãos. Nada pode ser
descartado.
Uma parte que achei interessante na Lei da Vida é a Lei da
Cegonha. Como o aborto é proibido, a mãe que não quiser ficar com o filho recém
nascido, pode abandonar o mesmo na porta de uma casa. A pessoa que achar o bebê
se torna legalmente responsável pelo menos, mas se a mãe biológica for pega no
ato, ela terá que ficar com a criança. Achei interessante essa perspectiva e
como ela foi mostrada no livro pelo personagem Connor, quando sua família
recebeu um bebê pela cegonha.
Todo o livro mostra o quanto humanos são egoístas e
mesquinhos. O quanto pensamos em nosso próprio umbigo e facilmente esquecemos
do próximo, mesmo quando somos extremamente religiosos. Outro ponto
interessante do livro: a perspectiva da religião sobre a fragmentação. E isso é
trabalhado pelos olhos de Lev. Lev é um dízimo. Um dízimo real, a ironia em
dizer que ele é o décimo filho de uma família e deste que nasceu conhece sua
missão grandiosa no mundo: ser entre como dízimo para ser fragmentado e ajudar
a sociedade. A lavagem cerebral da família e do pastor é tão grande em cima das
crianças que são consideradas dízimos que a entrega é de corpo e alma para essa
missão dita por um deus que aceita a fragmentação das pessoas.
"Uma Pessoa não tem alma até que ela seja amada." -
página 178
Outra parte que gostaria de frisar é o jeito que é tratado a
consciência de um fragmentado. O livro mostra todo tempo, que apesar do jovem
ter sido fragmentado em milhões de partes e espalhadas em várias pessoas, a
consciência dele ainda pode está viva. Deste de membros que tem
"personalidade própria" e repete movimentos que faziam quando eram um
só corpo; deste de partes do cérebro conter ainda fragmentos de lembranças do
antigo individuo que foi antes de ser repartido. E o ápice disso no livro é a
pequena história do Cy-fy.
O livro retrata a luta pela sobrevivência dos jovens
destinados a fragmentação e que por mais que sejam os mau vistos pela sociedade
e talvez nunca tenham sido amados pelos pais, eles só tem um sentimento: querem
viver.
******* Considerações
Finais ********
O que mais chamou atenção no livro é o jeito que o assunto é
tratado. Ele não é um thriller de terror/suspense como o vídeo promocional
sugeria (a cena da fragmentação lá descrita só acontece perto do final do
livro), mas sim é um livro um pouco dramático que mostra a perspectiva de como
os humanos só pensam em beneficio próprio e esquece do próximo.
"Duas Coisas são infinitas; o universo e a estupidez humana; mas
quanto ao universo eu não tenho certeza" Albert Einsten - página 319
Acho engraçado essa atitude de humanos, que se acham tão
racionais, mas é a única espécie de animal que mata seu semelhante. Que é
individualista mesmo vivendo em uma sociedade. O quanto essa lei foi feita como
forma de poder se desfazer facilmente do que seria um grande problema na
sociedade e de forma que muitos acreditariam ser o melhor jeito, beneficiando a
comunidade. É um livro carregado de reflexões, frases que te fazem pensar e
refletir sobre o que é ser humano, sobre a atualidade do mundo que vivemos, se
estamos caminhando pra um caminho bom e até mesmo como será nosso futuro. Afinal,
do jeito que caminha o mundo atual, não duvido nada de uma coisa assim
acontecer na vida real.
O livro não trata da fragmentação em si, mas sim dos
fragmentários: aqueles jovens que estão destinados a serem fragmentados. O
livro conta a história de três jovens que fogem desse destino assim que soube:
são eles o Connor, a Risa e o Lev.
No livro, você acompanha pelo ponto de vista desses três
principais, o que é um ponto positivo do livro, afinal, o livro é narrado pelos
personagens, com pensamentos, impressões e cada um deles vão se complementando.
No decorrer da narrativa, entra mais personagens (já que esses três
protagonistas entram em contato com outras pessoas durante o caminho de fuga) e
alguns chegam a ser importantes para ganhar capítulos onde a visão da história
é por eles também. A história principal do livro segue linear, mas é
fragmentada entre cada personagem e conhecemos um por um, seus medos e anseios,
seus desejos e suas opiniões, o que faz com que aproximamos deles. E essa é
mais uma parte legal do livro: ele é fragmentado.
Apesar de tudo isso, quando o livro vai chegando perto de
seu desfecho, deixa de preencher várias
lacunas. Quando o objetivo central do livro parece ser acompanhar os protagonistas
e saber se os mesmos sobreviverão esses tempos e fugirão da fragmentação, no
final o livro não nos mostra de fato e deixa muita coisa em aberto. O que
aconteceria com Lev, a importância do Cy-fy na sociedade, Connor e Risa e o
resto do pessoal do cemitério. Desconfio que tais lacunas foram feitas para dá
uma abertura a uma possível continuação, afinal, parece que autor aprendeu a
palavra continuação e ninguém mais sabe fazer livro de história fechada em um único
volume (que dá até raiva porque tudo vira série). Porém, se um dia isso vim a
ser realmente uma série, infelizmente não há muito a se trabalhar para outro
livro desse naipe. É o típico livro que não funcionaria em ser saga, mas sim
apenas um único livro.
No fim, também achei que ele poderia ser uma utopia diatópica,
mas isso deixo para uma outra discussão.
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