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Sedução no Convento || Resenha

"Ah, que vida!"

Preciso começar falando do quanto julguei o livro (e por consequência,  o autor). Pelo nome, atrevi a pensar que seria algo pesado, pornográfico, e muito estranho ao se ler. Algo, que se não fosse a editora, dificilmente chegaria em minhas mãos, apesar claro, que a pessoa incoerente que vos fala, ficou bastante ansiosa quando viu que outros parceiros da Editora Nacional receberam tal título. E bateu aquela curiosidade inocente para saber do que se trataria um título tão controverso e paradoxal.

Dois amigos blogueiros, que também conseguiram a parceria com a editora, receberam o livro e o leram antes de mim. E seus comentários sobre o livro foram tão negativos, que realmente fiquei um pouco desanimada para ler... Mas digo que após a leitura do livro, achei alguns comentários incoerentes com minha experiência de leitura. E no fim, eu gostei.

Antes que achem que sou paga pau tremendo da parceira, digo-lhes que gostei com ressalvas, afinal, o que, na vida, não tem exceções?!

Primeiro lugar, o livro não era o que esperaram e pintaram para mim. Achei que seria erótico, ou até mesmo pornográfico. Há cenas de sexo, e as palavras escolhidas para narrar as cenas foram um tanto esdrúxulas, que banalizaram o livro. Talvez, mais preparo do autor, principalmente porque é um livro de romance e não apenas com teor pornô, poderia ser feito uma pesquisa antes e enriquecido essas partes. 

Digo-lhes isso, pois já li livros desse estilo e já teve cenas bem construídas e descritas. Mas infelizmente, no caso deste livro, não foi as melhores palavras. Deixaram o livro vulgar e banalizado. A escolha certa das palavras poderiam enriquecer muito mais a narrativa e tirar muito as impressões ruins que os leitores estão tendo do mesmo.

Tirando as cenas de sexo banalizadas, o livro não é um erótico. É um romance. Um romance de descoberta da sexualidade de um rapaz que cresceu sem a orientação nesse foco, pois foi criado num orfanato de feiras. E logicamente, deu pra prever que o primeiro amor do protagonista foi uma noviça. 

Não vi nada que pudesse causar o escândalo e estranhamento das pessoas. O título, apesar de levantar polêmicas e muitas suposições tendenciosas, não deixa de ser uma história de amor. Amor proibido? Sim e não, afinal, amor não escolhe época, pessoa, religião, cor... Porque não uma noviça poderia se apaixonar? Apesar de ter escolhido uma vida a dedicar para a religião, ela ainda é humana. Não estaria morta.

Isso lembrou meu padrinho. Uma história que vira e mexe contam na minha família o fato que ele estava no seminário, iria se tornar padre. Era o que queria. Mas seu superior, talvez percebendo que o mesmo não teria vocação para a bata, disse-lhe para sair um pouco do seminário. E se depois dessa "férias", ele ainda desejasse ser padre, ele voltaria. E sabe? Ele não voltou. Namorou, casou, teve filhos.

A história do livro é descoberta de sentimentos e sensações. É ver a mudança do corpo e da mente. É o amadurecimento da criança para a vida adulta é a descoberta da sexualidade e do amor de um rapaz.

Além de descobertas, o livro conta também a história do amor da vida de Marcel, a noviça Collete. O primeiro amor desse jovem e o único ao longo de sua vida. E apesar das idas e vindas, as ciladas do destino, outras paixões... O verdadeiro amor não se esquece.

No fim, o livro foi uma descoberta. Afinal, descobri que as aparências e títulos não fazem juz ao conteúdo. Descobri que algo pintado de ruim pode até ser bom. E que por trás disso tudo, pode ter uma boa história de amor.

Enfim, gostei, apesar de uns defeitos que poderiam fazer o livro ser melhor. 

O que queria dizer aqui, nesta postagem, é que nem tudo é o que parece ser. E mais uma vez aprendi a não ir pela cabeça dos outros. Afinal, quanto amigas odiaram, eu gostei. 

Porque não fazer um momento de descoberta, inspirado no livro, e descobrir aquele gênero que você nunca teve vontade de ler? Vai que se surpreenda como eu me surpreendi em Sedução no Convento.

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