Memórias de um homem cujo nome nem foi revelado, mesmo
assim, vivas nas folhas desse livro.
Mistura da vida, das lembranças, dos desejos nunca
concretizados e das interpretações religiosas. Quem bater os olhos dirá hipocrisia
é o conteúdo do livro, já vos digo que são lamúrias, desespero e contradições
da alma de um ser que nunca se aceitou. Não por empecilho de sua religião, mas
por preconceito próprio, que cresceu com rédeas curtas de uma família rígida e
até desequilibrada.
Infelizmente, as palavras ali impressas dizem muito as
verdades pregadas pela sociedade que vivemos, não posso negar e nem negarei. E
se de hipocrisia e blasfêmia é que chamarão o livro, é disso que chamarão boa
parte da sociedade, afinal só li verdades que a comunidade tenta manter erguida
para se proteger do que é diferente.
Acreditar que é errado e se armar com palavras e nomes
santos, pregando o que nem cumprem em sua vida pessoal. Falar que religião o te
torna santo é a maior falácia. O que tem de santo do pau oco por aí...
Mas falar de religião é pisar em ovos e gerar polêmica e
esse livro é uma polêmica deste de seu titulo e capa: "Memórias de um
Pastor Gay". A capa imita uma imagem de capa de bíblias de couro, muito
usada por vários membros da igreja protestante e católica também. Normalmente a
maior ofensa para tais religiões é seu líder espiritual praticar atitudes
consideradas pecados, como o homossexualismo. Então trazer a palavra gay
acompanhando o substantivo pastor, é uma ofensa e pedir pra ser polêmico na
sociedade atual, onde qualquer coisa que você pode comentar, pode ofender meio
mundo (infelizmente o mal da era politicamente correta).
Adorei a leitura, mas é incomodadora, pois toca em
"feridas" que crescemos ouvindo do que é certo e errado. Trás algumas
críticas válidas para a sociedade e algumas passagens o humor ácido que tempera
o livro lembra o do autor Greogorio Duvivier em Put Some Farofa. O melhor da
leitura é que ele não mostra apenas a visão do que a bíblia trás sobre isso,
mas sim o que ela faz quando é interpretada pelas pessoas de visão desviada as
vezes, querendo enxergar apenas aquilo que é cômodo. Mostra o egoísmo e a
vontade do ser humano em ser o único com razão, o único certo, o único que
entende e que os outros estão sempre errados. Mostra que as vezes o preconceito
em se aceitar como diferente dos demais nasce em você mesmo e não apenas nas
pessoas que o rodeiam.
O livro é um relato, uma vida de mentiras, de não aceitação,
de fuga.. Uma lamentação do que poderia ter sido e do que foi. Uma dúvida
constante na vida do personagem e não um questionamento da religião em si, mas
de todo o moralismo impregnado na sociedade. Recomendo a leitura, até para
ampliar seus horizontes, mas se forem lê, despidam-se de seus pré-conceitos,
seu moralismo acerbado e de tudo que acha certo no mundo, leia com sua nudez
para interpretar e entender a obra como um todo. Se for para ler julgando-a,
prefiro que não a faça.
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