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Série: Supernova - Volume 1 Autor: Renan Carvalho Ano: 2015 Páginas: 440 Editora Novo Conceito |
Esse é mais um daqueles livros que ainda não decidi se amei
muito ou adorei.
Logo de cara, digo que é uma leitura simples, escrita sem
floreios, e que (mesmo com quase 400 paginas) você devora rapidamente, sem
querer soltar o livro.
Há também a presença de algumas ilustrações que mostram
algumas cenas chaves da narrativa, o que deixa ainda mais atraente para o
leitor. Mas o principal ponto que eu
gostei da obra foi algo que acontece logo no inicio do livro. É a criação do
mundo. Apesar de me lembrar um pouco até a criação da triforce em The Legend Of Zelda, a misticidade
criada pelo Renan transforma algo simples em algo mágico, lindo. E
posteriormente essa lenda de origem da criação do mundo, é usada na história.
Não foi nada por acaso e os links que ele forma na história, é o que deixa
ainda esses detalhes ainda melhores.
O livro tem uma história leve, (e nada complexa) e por isso
há alguns momentos bem dedutíveis e previsíveis, mas não totalmente clichês. E
por ser assim, é um livro que eu aconselharia para dar de presente a
adolescentes e pré-adolescentes. Por ensinar coisas simples como defesa de sua
liberdade, valores morais e muita coisas que deveriam ser ensinado em escolas (
e até mesmo no meio familiar), faz com que seja uma leitura obrigatória para a
garotada dessa faixa etária. Posso até está viajando quando falo isso, mas acho
que as escolas poderiam muito bem adotar o livro para leitura e discussões na
sala de aula, afinal, não apenas a história incentivaria os jovens ler, mas o
paralelo que podemos fazer até mesmo com a história do nosso país poderia
resultar em ótimas pautas de aula.
Em Acigam, a terra natal do Leran, sofre com uma ditadura opressora.
Estilo Muros de Berlim, Acigam é cercadas de muros que impedem os cidadãos da
cidade de sair e ter contato com o mundo exterior, e vice-versa. O poder de controlar as energias, a
"verdadeira ciência" é proibida pelo governo. E por esse poder está mais
concentrado entre o setor de comerciantes de Acigam e Leran ser um neto de um
deles e treinar escondido com seu avô, quando a revolução explode, ele não
consegue deixar de ser envolvido.
Lembra, lógico, da nossa ditadura militar, onde repressão de
liberdade e foi marcada por militâncias estudantis e também de outros segmentos
da sociedade para tentar se libertar desse controle e censura. O isolamento do
país, a censura da imprensa e de pensadores que tentavam mudar a concepção da
sociedade sobre tudo que o governo fazia, criando uma oposição contra o regime
pode ser visto (de forma um pouco mais branda) em Supernova. De um lado os
militantes controladores das energias, do outro lado o poder do Rei e seus militares.
Um lado querendo a liberdade para praticar o que faziam escondidos, a queda dos
muros e a volta da prática do comércio. O outro lado lutava com propósitos
distorcidos (talvez) para proteger a população de Acigam.
Mas mesmo com essas comparações e esses dois lados da moeda,
será que tinha um lado mocinho e um lado vilão? Creio que o Renan Carvalho, em
sua obra não quis transmitir que uma pessoa pode ser o mal encarnado ou o outro
pode ser o bom samaritano. Quis mostrar que ambos os lados podem ter motivações
diferentes, que podem ser corrompíveis para propósitos próprios e que elevam
seu egocentrismo. Quis mostrar que não formos feitos apenas para ser o mocinho
ou o vilão, que todo tempo podemos fazer as escolhas e trilhar um caminho. E
ele não é uma linha reta, mas é cheio de bifurcações, retornos, curvas, e que
isso vai modelando o carater e o papel que você assume na sociedade. O ser
humano em si pode ser bom, mas também pode ser ruim e não será assim do nascer
até a morte, mas em seu caminho percorrido, ele pode mostrar várias facetas,
mudar e descobrir coisas novas sobre si mesmo, como a Judra (que posso citar como
o maior exemplo - e o mais claro - de mudança ao longo do livro).
Sem falar que esses ensinamentos são passados de forma
simples, lúdica e bem gostosa em um mundo fantástico que existe magia. E de
quebra você ainda incentiva a leitura nesses jovens.
Mia, adorei sua resenha. E do jeito que vc descreveu esse livro me deu muita vontade de ler, apesar de não gostar fantasia.
ResponderExcluirE a capa e linda.