Eu sempre gostei de coisas místicas, bruxas, garotas mágicas... Talvez por nascer na sexta, 13, eu acabei tomando para mim esse gosto peculiar para magias e misticismo. E quando eu era uma jovem adolescente, existia uma revista chamada W.I.T.C.H. publicada pela Editora Abril que trazia história serializada de um grupo de garotas mágicas que tem como dever proteger portais de uma terra mística. Foi aí, caros leitores, que eu descobri o poder maior dos quadrinhos (para quem era habituada apenas com coisas tipo Turma da Mônica e Mickey clássico, esses quadrinhos abriram horizonte). Peguei, infelizmente, o barco andando, então nunca consegui as primeiras edições na época (e estou pensando em completar a minha coleção como meta — igual fiz com os Ursos da Parmalat, e consegui!). Então na época nunca cheguei a ler na íntegra. Mas agora, por meios não oficiais, consigo ter acesso a história clássica e resolvi, enquanto espero o primeiro volume do Reboot que será lançado pela Unive...
![]() |
| Série: Supernova - Volume 1 Autor: Renan Carvalho Ano: 2015 Páginas: 440 Editora Novo Conceito |
Esse é mais um daqueles livros que ainda não decidi se amei
muito ou adorei.
Logo de cara, digo que é uma leitura simples, escrita sem
floreios, e que (mesmo com quase 400 paginas) você devora rapidamente, sem
querer soltar o livro.
Há também a presença de algumas ilustrações que mostram
algumas cenas chaves da narrativa, o que deixa ainda mais atraente para o
leitor. Mas o principal ponto que eu
gostei da obra foi algo que acontece logo no inicio do livro. É a criação do
mundo. Apesar de me lembrar um pouco até a criação da triforce em The Legend Of Zelda, a misticidade
criada pelo Renan transforma algo simples em algo mágico, lindo. E
posteriormente essa lenda de origem da criação do mundo, é usada na história.
Não foi nada por acaso e os links que ele forma na história, é o que deixa
ainda esses detalhes ainda melhores.
O livro tem uma história leve, (e nada complexa) e por isso
há alguns momentos bem dedutíveis e previsíveis, mas não totalmente clichês. E
por ser assim, é um livro que eu aconselharia para dar de presente a
adolescentes e pré-adolescentes. Por ensinar coisas simples como defesa de sua
liberdade, valores morais e muita coisas que deveriam ser ensinado em escolas (
e até mesmo no meio familiar), faz com que seja uma leitura obrigatória para a
garotada dessa faixa etária. Posso até está viajando quando falo isso, mas acho
que as escolas poderiam muito bem adotar o livro para leitura e discussões na
sala de aula, afinal, não apenas a história incentivaria os jovens ler, mas o
paralelo que podemos fazer até mesmo com a história do nosso país poderia
resultar em ótimas pautas de aula.
Em Acigam, a terra natal do Leran, sofre com uma ditadura opressora.
Estilo Muros de Berlim, Acigam é cercadas de muros que impedem os cidadãos da
cidade de sair e ter contato com o mundo exterior, e vice-versa. O poder de controlar as energias, a
"verdadeira ciência" é proibida pelo governo. E por esse poder está mais
concentrado entre o setor de comerciantes de Acigam e Leran ser um neto de um
deles e treinar escondido com seu avô, quando a revolução explode, ele não
consegue deixar de ser envolvido.
Lembra, lógico, da nossa ditadura militar, onde repressão de
liberdade e foi marcada por militâncias estudantis e também de outros segmentos
da sociedade para tentar se libertar desse controle e censura. O isolamento do
país, a censura da imprensa e de pensadores que tentavam mudar a concepção da
sociedade sobre tudo que o governo fazia, criando uma oposição contra o regime
pode ser visto (de forma um pouco mais branda) em Supernova. De um lado os
militantes controladores das energias, do outro lado o poder do Rei e seus militares.
Um lado querendo a liberdade para praticar o que faziam escondidos, a queda dos
muros e a volta da prática do comércio. O outro lado lutava com propósitos
distorcidos (talvez) para proteger a população de Acigam.
Mas mesmo com essas comparações e esses dois lados da moeda,
será que tinha um lado mocinho e um lado vilão? Creio que o Renan Carvalho, em
sua obra não quis transmitir que uma pessoa pode ser o mal encarnado ou o outro
pode ser o bom samaritano. Quis mostrar que ambos os lados podem ter motivações
diferentes, que podem ser corrompíveis para propósitos próprios e que elevam
seu egocentrismo. Quis mostrar que não formos feitos apenas para ser o mocinho
ou o vilão, que todo tempo podemos fazer as escolhas e trilhar um caminho. E
ele não é uma linha reta, mas é cheio de bifurcações, retornos, curvas, e que
isso vai modelando o carater e o papel que você assume na sociedade. O ser
humano em si pode ser bom, mas também pode ser ruim e não será assim do nascer
até a morte, mas em seu caminho percorrido, ele pode mostrar várias facetas,
mudar e descobrir coisas novas sobre si mesmo, como a Judra (que posso citar como
o maior exemplo - e o mais claro - de mudança ao longo do livro).
Sem falar que esses ensinamentos são passados de forma
simples, lúdica e bem gostosa em um mundo fantástico que existe magia. E de
quebra você ainda incentiva a leitura nesses jovens.
Comentários
Postar um comentário
Seu comentário é muito importante para o crescimento, amadurecimento e manter a qualidade do blog.
Todos os comentários serão respondidos, então marque as notificações!
Deixe seu link no comentário, terei o prazer de retribuir a visita.
Segui. Segue de volta? Se eu gostar, seguirei com prazer!
Beijinhos da Miaka-chan =*

Mia, adorei sua resenha. E do jeito que vc descreveu esse livro me deu muita vontade de ler, apesar de não gostar fantasia.
ResponderExcluirE a capa e linda.