*Resenha
publicada primeiramente no blog As Leituras da Mila, onde sou colunista. E-book
cedido em parceria com as Leituras da Mila. Algumas partes dessa resenha foram
modificadas e acrescentadas por ter notas e detalhes que quis incluir
posteriormente (e por minha melhor liberdade de expressão - risos).
Esse foi meu primeiro contato com a Editora Angel, mas não o
primeiro contato com o gênero. De romance SM leve como Cinquenta Tons de Cinza,
a livro mais detalhado do universo como Eu, Dommenique, até chegar naqueles
inúmeros romances de banca de jornal, já li algumas narrativas do gênero. Mas,
nunca foi uma leitura para ter que resenhar depois, no máximo, comentava com
minha melhor amiga que curtia ler tais histórias também.
![]() |
MINHA QUERIDA CHEFE Mary Oliveira Ano: 2015 Páginas: 240 Editora: Angel |
Qual foi a minha surpresa em pegar um livro do gênero e poder enfim explanar todo esse conhecimento
(que mesmo ainda sendo pouco) eu pude acumular em minhas poucas experiências
com esse tipo de leitura? Não quero encher linguiça explicando isso para vocês,
leitores, mas é que, abrindo essa intimidade com vocês, já sabem que assim como
para muitos é uma surpresa chegar a me ver comentando isso, será uma "primeira
vez" para mim falar abertamente de algo que eu gosto de fazer entre as
paredes do meu quarto (risos). Deixando as piadinhas de lado, vamos para os
finalmente, porque chega dessas preliminares.
Uma parte negativa da história, é que logo no inicio você já
leva o choque de ter um homem narrando seu lado de vista. E mesmo que é sabido
que homem não é delicado em suas expressões, conversas e, principalmente, seus
pensamentos, a autora deixa sua narrativa baixa, pobre, depreciando sua obra. Sabe
a pequena diferença entre um pornô e um erótico? O pornô não tem preocupação
com a história, até porque esse não é o foco do conteúdo, ele tem palavras de
baixo calão, pobre e por isso muitas mulheres não se identifica. Por outro
lado, o erótico tem sua magia de sedução, seu encanto por poder, para um lado
seduzir o outro. Uma história superficial, apenas com provocativas pobres, sem
muito desenvolvimento de personagem, principalmente o desenvolvimento da chefe,
o objeto de desejo do nosso protagonista, o Ian.
Aqui chegamos em outro fator de estranhamento no inicio da
narrativa, o Ian vê sua chefe, a Corinne como apenas um objeto. Vale frisar,
que é uma atração carnal e banalizada nos pensamentos de Ian. Um romance que em
primeira vista é para o publico feminino que lê o gênero, isso é de causar até
certa repulsa no inicio do livro. Algo que no decorrer de umas 20 a 30 páginas,
dá uma suavizada e a autora começa a trabalhar de maneira melhor o
desenvolvimento da Corinne.
Mas de negativas sobre o livro, fica apenas no inicio. Posteriormente
a autora conseguiu trabalhar mais o desenvolvimento dos personagens,
principalmente a personalidade instável de Corinne e as dúvidas e incertezas de sentimentos do Ian.
O desenvolvimento sentimental e essa descoberta e aceitação
das emoções que ambos sentem faz com que fiquemos bem próximos aos
protagonistas, refletindo,pensando e torcendo para a ficha cair.
Vale resaltar o ditado que "dois bicudos não se
beijam", já que ambos me fazem lembrar o autoritarismo e a obsessão por
controle e poder do Christian Grey (Cinquenta Tons de Cinza) e esse gênio forte
de ambos é o que dá o gosto de quero mais. A impressão do inicio do livro, a
falta de requintes da sedução e narrativa de um certo modo banalizada vai aos
poucos sendo substituídos pelo jogo da sedução e descoberta de ambos.
********************* CONSIDERAÇÕES FINAIS
*********************
*Cuidado, aqui podemos ter ainda mais spoilers da narrativa.
"Um motorista que dirigia em alta velocidade bateu contra um carro
estacionado e este a pegou de surpresa. O casal que a trouxe disse que ela foi
atropelada e por muito pouco o carro em movimento não a pegou também. A Srta.
Jackson estava na calçada, foi lançada contra uma moto e caiu
desacordada."
Algumas parte do livro estão realmente mal escritas e com um
duplo sentido que pode deixar o leitor confuso, ou no mínimo, se perguntando
"eu realmente li isso?" e voltando para ler e confirmar se realmente
aquilo foi escrito. Alguns clichês como briga de rompimento, acidente de carro,
coma, amnésia também pode ser encontrada no livro. Não que eu condene clichês,
já que, quando bem aplicados, eles se tornam bem interessante para serem
trabalhados na jornada do herói. Porém,
quando apenas "jogada ao leu" em uma história, ela pode se tornar
monótona e estragar a narrativa. No caso desse livro, achei que foi desnecessário
o uso de tanto clichê seguido nos capítulos e que isso desvirtuou a
personalidade da protagonista, já que no primeiro momento ela foi dita como uma
mulher independente e autoritária. Com isso, ela foi apenas vista como frágil e
instável, coisa que me fez pensar se a personagem sofria de algum transtorno de
personalidade por tanta oscilação de temperamento.
Posteriormente, o livro consegue ainda ser mais cheio de
clichês típicos de casais (casamento, gravidez) e isso muda completamente minha
visão em relação a protagonista que dá nome ao titulo. É como se a mesma se
tornasse uma outra pessoa, completamente diferente dos primeiros capítulos. Nada
contra mostrar que debaixo daquela frieza, ela pode ser uma mulher como todas,
insegura, romântica... Mas a mudança brusca nessas duas nuances fortalece ainda
mais a minha impressão de que ela teria uma dupla personalidade.
Tirando esses pequenos detalhes dos personagens, o livro tem
uma leitura rápida, que dura apenas uma sentada mesmo, narrativa bem simples, e
a história não tem complexidade, mistério nem nada que dificulte ou que
diferencie a narrativa de outras, se torna uma história comum e que pode muito
bem acontecer com qualquer um, será? É como se usasse a formula básica do gênero, sem dá uma atração e novidade a mais para o enredo.
O maior estranhamento do livro com a discrepância do inicio com o andar do livro é os rumos que a autora tenta dar em sua narrativa. o Ian no inicio tem uma atração carnal e simplória (até como a maioria dos homens tem por uma mulher bonita e gostosa, como dizem), mas depois tenta dá um rumo tão romântico que essa mudança é gritante e estranha a leitora. O livro é indicado para o publico feminino e esse inicio cru e sem um pingo de romantismo pode afastar as leitoras, principalmente pensando pela capa que trás ideia de sedução e poder, uma coisa que se tem na metade do livro e se perde completamente no final.
Se a intenção da autora fosse simplesmente esse jogo de sedução carnal, ela conseguiu no inicio mas deslanchou no final, e se fosse algo romântico, o começo deveria ter sido completamente reformulado ou ignorado. A questão é que ela não conseguiu se mantar e causa essa mudança estranha do meio para o final, o que afasta leitores que gostam do gênero e que até quem nunca leu o gênero, mas que adoraria conhecer por achar a capa bonita. Se você for uma leitora que quer conhecer o gênero, não aconselho começar com esse titulo em questão, mesmo a capa sendo bastante atrativa, pois a narrativa pode ser decepcionante e não te mostrar o quanto esse gênero pode ser interessante (e fazer o contrário, você simplesmente correr do gênero e não querer mais ler nada disto).
O maior estranhamento do livro com a discrepância do inicio com o andar do livro é os rumos que a autora tenta dar em sua narrativa. o Ian no inicio tem uma atração carnal e simplória (até como a maioria dos homens tem por uma mulher bonita e gostosa, como dizem), mas depois tenta dá um rumo tão romântico que essa mudança é gritante e estranha a leitora. O livro é indicado para o publico feminino e esse inicio cru e sem um pingo de romantismo pode afastar as leitoras, principalmente pensando pela capa que trás ideia de sedução e poder, uma coisa que se tem na metade do livro e se perde completamente no final.
Se a intenção da autora fosse simplesmente esse jogo de sedução carnal, ela conseguiu no inicio mas deslanchou no final, e se fosse algo romântico, o começo deveria ter sido completamente reformulado ou ignorado. A questão é que ela não conseguiu se mantar e causa essa mudança estranha do meio para o final, o que afasta leitores que gostam do gênero e que até quem nunca leu o gênero, mas que adoraria conhecer por achar a capa bonita. Se você for uma leitora que quer conhecer o gênero, não aconselho começar com esse titulo em questão, mesmo a capa sendo bastante atrativa, pois a narrativa pode ser decepcionante e não te mostrar o quanto esse gênero pode ser interessante (e fazer o contrário, você simplesmente correr do gênero e não querer mais ler nada disto).
Que resenha é essa. ADOREI SUA RESENHA. Amei como vc descreve o livro. Amo livros hot e sinceramente é difícil saber pra que rumo a história vai levar. E vc deixou muito explicado que a história não ficou de seu agrado. A capa realmente é linda.
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