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W.I.T.C.H. || Revisitando os quadrinhos clássicos — Volume 01, Saga Meridian

 Eu sempre gostei de coisas místicas, bruxas, garotas mágicas... Talvez por nascer na sexta, 13, eu acabei tomando para mim esse gosto peculiar para magias e misticismo. E quando eu era uma jovem adolescente, existia uma revista chamada W.I.T.C.H. publicada pela Editora Abril que trazia história serializada de um grupo de garotas mágicas que tem como dever proteger portais de uma terra mística. Foi aí, caros leitores, que eu descobri o poder maior dos quadrinhos (para quem era habituada apenas com coisas tipo Turma da Mônica e Mickey clássico, esses quadrinhos abriram horizonte). Peguei, infelizmente, o barco andando, então nunca consegui as primeiras edições na época (e estou pensando em completar a minha coleção como meta — igual fiz com os Ursos da Parmalat, e consegui!). Então na época nunca cheguei a ler na íntegra.  Mas agora, por meios não oficiais, consigo ter acesso a história clássica e resolvi, enquanto espero o primeiro volume do Reboot que será lançado pela Unive...

Desafio: Como aproveitar o máximo do circuito cultural de São Paulo


Uma das melhores vantagens de residir na maior metrópole da América do Sul são suas atividades culturais diversificadas com opções para todos os gostos e bolsos.

Podemos falar das alternativas que estão disponíveis a todo instante, como o Centro Cultural Vergueiro, o Espaço Itaú da Rua Augusta, o teatro do SESI, as exposições do Instituto Tomie Ohtake, etc. E também temos os eventos periódicos, como a Bienal do Livro e o Risadaria.

O desafio para nós, consumidores de cultura, é conseguir pegar um pouquinho de tudo, fazendo uma seleção apurada, criteriosa e variada, já que não é possível estar em todos os lugares. Sempre me propus esta empreitada.

Existem exemplos extremos, como o de Paulo Gustavo, um publicitário, amigo meu, que, no ano passado, estabeleceu para si uma meta: assistir ao máximo de filmes possível durante a 38ª Mostra Internacional de Cinema. Ele levou o objetivo a ferro e fogo: tirou férias no período, despachou a família para Nova York, pegou o caderno de programação na mão e saiu pelas ruas da Paulicéia Desvairada caçando filmes que integravam a mostra nas dezenas de locais que os exibiram. Quando os créditos começavam a subir na tela, ele saía correndo para o próximo. Resultado: dos 330 filmes exibidos, ele assistiu a 54.

Eu não tenho o mesmo pique do Paulo Gustavo e nem ligo tanto para quantidade, mas resolvi seguir o seu exemplo, entretanto do meu jeito: priorizando a qualidade.

O evento escolhido foi a 11ª Virada Cultural, que aconteceu nos dias 20 e 21 de junho de 2015. E o meu propósito foi: achar uma arte com efeito inovador no meio de tanta música, cinema, teatro, dança, ...

Acessei o site da programação oficial e li tudo. Quanta coisa boa na minha cidade! E durante um único fim de semana!

Confesso que me deu vontade de incorporar o Paulo Henrique e devorar geral, mas mulher é mais seletiva, sabe chegar de mansinho aonde realmente interessa...

Um dos locais apontados na grade da programação era o Palácio da Justiça, na Praça da Sé. Lá teve: recitais de piano, corais, seminários e visita monitorada. Pra lá que eu fui...

Quando cheguei, qual não foi a minha surpresa ao ver, colada na porta, além da programação do local, outra de um lugar bem próximo: o Palacete Conde de Sarzedas. Opa! Esta não estava no site oficial da Virada!

Como eu sempre tive vontade de conhecer este prédio histórico e sou apaixonada por espetáculos fora do circuito óbvio e massivo, fui conferir a novidade: que tesouros artísticos poderiam estar escondidos naquela construção do Século XIX?

Depois de contemplar uma apresentação musical e uma contação de histórias, olhei o folheto e vi uma tal de sessão de vídeos, que começaria logo em seguida... O nome do artista era Marcelo Garbine. Eu já havia lido alguns textos do autor, mas não sabia que ele também fazia vídeos.

Numa das salas pequenas do pavimento superior, as pessoas começaram a entrar e sentarem-se, a maioria no chão. Juntei-me ao grupo e liguei as minhas anteninhas.

Marcelo Garbine entrou logo em seguida e posicionou-se na frente da tela. Explicou para o público presente que aquela era apenas uma faceta do seu trabalho, que também compunha com músicos, fazia humor, textos didáticos e muito mais.

Em seguida, iniciou-se a projeção. Foram cerca de oito vídeos exibidos. Percebi, então, que havia acertado em cheio na minha escolha. No oceano cultural de São Paulo, estava mesmo diante de algo novo.

Os vídeos sincronizavam música, imagem e poesia. Após tantos anos de exploração engajada da arte e busca pelo novo, posso dizer que fiquei realmente surpresa com tamanha sensibilidade. Cada detalhe, cada mensagem escondida que só podia ser notada com muita atenção.

Convencionalmente, estamos acostumados a receber tudo pronto, de bandeja, sem que precisemos ligar os pontos, pensar, interpretar ou refletir. Ao contrário do que é ofertado de forma comercial e atacadista, o trabalho de Garbine conversa com cada um individualmente. Temos a sensação de estarmos falando diretamente com o autor, numa espécie de terapia. Marcelo Garbine sabe como deixar o público à vontade e com gostinho de “quero mais”.

Senti-me tão confortável interiormente que me esqueci estar sentada no chão. Aqui e ali, tentava decifrar os enigmas de seus versos.

Venci o desafio de encontrar algo novo na Virada Cultural Paulista 2015. Esta é a dica que eu deixo para os que amam a arte de modo insaciável e acreditam tratar-se a cultura de uma fonte múltipla e inesgotável de abundância.


Quem quiser conferir, pode procurar Marcelo Garbine no You Tube ou no site dele: marcelogarbine.com.br

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