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W.I.T.C.H. || Revisitando os quadrinhos clássicos — Volume 01, Saga Meridian

 Eu sempre gostei de coisas místicas, bruxas, garotas mágicas... Talvez por nascer na sexta, 13, eu acabei tomando para mim esse gosto peculiar para magias e misticismo. E quando eu era uma jovem adolescente, existia uma revista chamada W.I.T.C.H. publicada pela Editora Abril que trazia história serializada de um grupo de garotas mágicas que tem como dever proteger portais de uma terra mística. Foi aí, caros leitores, que eu descobri o poder maior dos quadrinhos (para quem era habituada apenas com coisas tipo Turma da Mônica e Mickey clássico, esses quadrinhos abriram horizonte). Peguei, infelizmente, o barco andando, então nunca consegui as primeiras edições na época (e estou pensando em completar a minha coleção como meta — igual fiz com os Ursos da Parmalat, e consegui!). Então na época nunca cheguei a ler na íntegra.  Mas agora, por meios não oficiais, consigo ter acesso a história clássica e resolvi, enquanto espero o primeiro volume do Reboot que será lançado pela Unive...

[Resenha] Terras Metálicas

Terras Metálicas é um  livro de leitura simples e dinâmica que me ganha logo de cara quando sua narração, a principio lembra a divertidíssima obra de Douglas Adams a descrever uma bebida: Pangeia.

O Guia do Mochileiro das Galáxias também menciona o álcool. Diz que o melhor drinque que existe é a Dinamite Pangaláctica. Afirma que o efeito de beber uma Dinamite pangalácta é como ter seu cérebro esmagado por uma fatia de limão colocada em volta de uma grande barra de ouro. (...) O Guia do Mochileiro ensina até mesmo como preparar a bebida por conta do próprio. Eis o que diz o livro: Pegue uma guarrafa de aguardente Janx. Misture-a com uma dose de Santragino V – ah, essa água dos mares de Santragino,  diz. Ah, os peixes de Santragino! Deixe que três cubos de Megagim Arturiano sejam dissolvidos na mistura (se não foi congelado da maneira correta, perde-se a benzina). Deixe que quatro litros de gás dos pântanos de Fália borbulhem através da mistura em memória de todos aqueles mochileiros vem aventurados que morreram de prazer nos pântanos de Fália. Faça flutuar, no verso de uma colher de prata, uma dose de extrato de Hipermenta Qualactina, plena da fragância inebriante das sombrias zonas Qualactinas, sutil, doce e mística. Acrescente um dente de tigre solar algoliano. Veja-o dissolver-se, espalhando os fogos dos sóis algolianos no âmago do drinque. Jogue uma pintadinha de Zânfuor. Acrescente uma azeitona. Agora é só beber... Mas... Com muito cuidado.Guia do Mochileiro das Galaxias p. 31-32.


O Pangeia é mais que uma bebida, é um estado de espírito.E ao menos que se esteja no estado de espírito certo, é impossivel prepará-lo. (...) Ângelo abriu as garrafas, deixando as tampas caírem no chão. Com os dedões tampouos bocais, voltando a aprisionar o líquido em seu interior. Usando movimentos lentos, ele começou a sacudir as garrafas, gerando uma maior homogeneidade dentro delas. Então, gradativamente, passou a aumentar a velocidade de seus movimentos, até o ponto em que era possivel ouvir o líquido chacoalhando em suas prisões, gritando em súplica para sair. Quando o chacoalhar alcançou seu ponto máximo Ângelo estendeu as mãos para a frente, deixando os líquidos repousarem antes do gran finale. O Pangeia é feito de duas bebidas primordiais. A ligeiramente ácida Laurásia e a suave Gonduana. Cada uma delas é uma bebida única, a segunda e terceira melhores em qualquer ranking que você vir, então, a bebida número um só poderia ser feita com uma mistura perfeita das duas. Ângelo virou a mão direita e soltou o dedo do bocal, a pressão interna gerada pelas sacudidas fez o líquido de um verde claro com força dentro do primeiro copo. Laurásia deve vir primeiro e formar a base do Pangeia, deve-se colocá-la até o quarto do copo antes... E num segundo giro liberou a pressão, deixando Gonduana, o líquido vermelho, também espirrar para dentro do copo. Por ter ficado mais tempo fechado,Gonduana vai vir com mais pressão, empurrando a Laurásia para cima e permitindo uma mistura perfeita entre as duas. E com essa mistura se forma..." Terras Metálicas p. 51-52.

 Achei também a sacada da bebida Pangeia surgir da mistura de dois outros refrigerantes chamados Laurásia e Gonduana. Lembrou minha época de ensino fundamental onde estudei a formação da terra em geografia. Além dessas revelações, o livro todo tem referências de história antes da era na Esfera. Você ainda não entendeu nada? Deixa explicar.

O mundo sofreu muito na Última Guerra, que fez com que a atmosfera ficasse inabitável pela grande quantidade de massa nuclear. E para sobreviver, o mundo precisou se adaptar se isolando numa atmosfera artificial abaixo da terra: A Esfera. Tudo que a humanidade precisou para sobreviver, a Esfera proveem. Com o passar dos anos, tudo foi evoluindo dentro da Esfera, mas apesar dessa evolução de tecnologia e tudo mais, a história antiga da humanidade foi perdida, apesar de algumas palavras e conceitos ainda estejam presente, e o leitor vai reconhecendo isso com o passar das páginas.

O livro é bem detalhado e escrito. Me prendeu tanto em cenas de tensão, quanto nas de comédia. Você é telestranspordado para aquele tempo, após o mundo ser destruído e nada mais que conhecíamos atualmente é conhecido nessa época da Esfera. A sede de conhecer o passado inflama esses meninos, além da vontade imensa de conhecer o mundo fora da esfera, a terra como era antes de tudo ser destruído. Como o livro é bem detalhado, as coisas as vezes demoram muito para acontecer, você segue no dia-a-dia dos alunos da Esfera, mas mesmo assim o livro ainda te prende por completo.

Outra parte bem interessante do livro é a presença dos Tashis. O mundo não tem presença de nenhum outro animal vivo que não seja o ser humano, parece que todas as outras criaturas foram extintas. E para a "substituição" dos animais foram criado uns robôs dotados de Inteligência Artificial  chamados Tashis. São muito além de animais de estimação, são dotados de inteligência e varias outras habilidades (PS: dá muita vontade de ter um igual).

E uma coisa que superou todo esse livro é que as coisas não são como são mostradas. Sabe um vício que eu tenho, como muito leitor tem, é fazer as suposições sobre as coisas que irão acontecer e ir decifrando de acordo com as pistas que o livro lhe dá. Mas o autor consegue te surpreender várias vezes até o ultimo instante. Faz com que tudo que você conheceu e pensou no inicio de todo o livro não fosse exatamente como é. Sei que pareceu confuso o que eu falei, mas quando lerem o livro, vão entender completamente (e voltar aqui para dizer: "eu entendi, Mi-chan").


Se o livro fosse resumido em uma nota, seria 10. E precisa dizer mais uma coisa: não é o fim. Tudo é só o começo para nossos protagonistas. (E sim, Renato, falei isso para lhe dar a deixa de que eu quero mais desse universo de Terras Metálicas, eu quero mais aventuras de Raquel e seus amigos, então trate em fazer mais um livro sobre eles). Para quem gosta de ficção cientifica e aventura, esse livro é uma pedida certa. 

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