Eu sempre gostei de coisas místicas, bruxas, garotas mágicas... Talvez por nascer na sexta, 13, eu acabei tomando para mim esse gosto peculiar para magias e misticismo. E quando eu era uma jovem adolescente, existia uma revista chamada W.I.T.C.H. publicada pela Editora Abril que trazia história serializada de um grupo de garotas mágicas que tem como dever proteger portais de uma terra mística. Foi aí, caros leitores, que eu descobri o poder maior dos quadrinhos (para quem era habituada apenas com coisas tipo Turma da Mônica e Mickey clássico, esses quadrinhos abriram horizonte). Peguei, infelizmente, o barco andando, então nunca consegui as primeiras edições na época (e estou pensando em completar a minha coleção como meta — igual fiz com os Ursos da Parmalat, e consegui!). Então na época nunca cheguei a ler na íntegra. Mas agora, por meios não oficiais, consigo ter acesso a história clássica e resolvi, enquanto espero o primeiro volume do Reboot que será lançado pela Unive...
Vou começar falando da parte que mais me decepcionou nesse
filme. Não é culpa da distribuidora, eu acho. A dublagem e tradução do filme.
Vamos começar com o titulo: Bons de Bico. Titulo original é Free Birds, algo traduzido ao pé da letra e contexto apresentado pela história: Pássaros de Graça. E esse titulo faria mais sentido. Até agora queria entender porque o nome é Bons de Bico, porque não vi muito nexo com todo o contexto da história. O filme trata sobre uma dupla de peru que quer voltar no tempo e retirar o peru da ceia de ação de graças. A lógica, roteiro, história do filme está otimo, bem divertido para todas as idades, menos a parte da tradução brasileira.
Sim, a distribuidora brasileira acha que brasileiro é tudo
burro (isso mesmo que você leu: BURROS),
porque toda a dublagem tira o nexo apresentado na animação. Acho que pensaram
algo do tipo “No Brasil não temos
comemoração de Ação de Graças, então brasileiro que é burro feito porta não
sabe o que é Ação de Graças, então já que comemos peru na ceia de Natal, vamos
substituir Ação de Graças por natal e fica tudo normal”. Sinto dizer: não
ficou. E acho que vocês desconfiam do por que.
Você vê algo acontecendo em novembro (sim, mantiveram toda a
tradução de tempo, então você os vê voltando pro primeiro dia que aconteceu Ação de Graças, que é em novembro e fica
perguntando: “Cadê o natal?”), e a
cara de pau dos personagens falando em salvar peru do natal.
Acho que todos (ou a grande maioria) já viram em filmes e já
estudou em algum momento (mesmo por minutinhos) sobre comemorações no mundo e
já se deparou com Ação de Graças no
meio. Para quem não sabe o que é Ação de
Graças, vai o verbete da Wikipédia para vocês:
“É um feriado celebrado nos Estados Unidos e no Canadá, observado como um dia de gratidão,
geralmente a Deus, pelos bons acontecimentos ocorridos durante o ano. Neste dia, pessoas dão as graças com
festas e orações.”
A dublagem brasileira vacilou feio em mais um filme. Não fez
sentido mudar para natal ocorrendo em
novembro e mais, sem as decorações famosas de natal (que não acontece só no Brasil, lá nos EUA as coisas são mais
sérias), e se mudasse todas as datas faria algo ainda pior: você vê a animação,
não faria sentido o resto do filme inteiro mudando tudo referente à ação de graça para natal. Ainda queria entender porque dessa mudança, pode ter sido um
detalhe ínfimo, mas não faz sentido. Isso é tratar o telespectador como burro.
Ou seja, nos tratar como burros. E nós que consumimos esses tipos de filme tem
todo o direito em brigar e reclamar, para nunca mais vê dublagem de 5ª
categoria em cinemas e DVDs no mercado.
Agora
voltando ao filme, a história é boa e divertida, apesar que a animação em si é
destinada ao publico infantil (que nesse caso nem vai dá importância a uma
dublagem, apesar que, para algumas crianças o questionamento será “papai,
porque não vi uma arvore de natal nesse filme?”), ela também divertirá muito
adulto que tirar o dia para ver a animação. A dupla dos comediantes Marcius
Melhen e Leandro Hassum (os mesmos que faziam um quadro no Zorra
Total e depois o programa Os Caras de Pau, ambos da Tv
Globo) fizeram um ótimo trabalho de dubla nessa dublagem, que realmente
casou com os personagens principais Reggie e Jake,
respectivamente. Já a peru chamada Jenny, que é a paixão de Reggie
logo quando voltam para o passado, lembrou-me vagamente uma outra personagem da
animação Rango. Sem contar o porque, mas quem assistiu ambas as
animações vai entender a sacada de que Bons de Bico lembra quase todo a
animação Rango.
Outro sucesso que pode arrancar vários risos é a filha do
presidente que adota o peru Reggie (o que será salvo de morrer na
véspera), que é uma gracinha bem sem noção, apesar de não ter muita
relevância para o desenrolar do evento entre Reggie, Jake e todos os perus do
passado.


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