Eu sei, eu sei. Serei massacrada com esse texto. Mas preciso falar e até desabafar. Tenho esse blog há 14 anos, comecei em 2012, onde tudo era mato, não existia inscrições de parceria anuais com editoras, autor nacional nem era tão disseminado assim, quase não existia publicação independente de largo alcance nacional e nem Amazon tinha no Brasil vendendo ebook. Sim, tudo mato a ser desbravado. E nessa época, onde as coisas começavam a engatinhar, editoras mandavam livros pontuais a alguns blogs e criadores de conteúdo publicar textos sobre o livro. Como faziam com jornalistas também. Não existia criação para redes sociais, nem o Instagram existia e YouTube era só um repositório de vídeos comuns – sem a grandeza de produções de conteúdo como hoje. E também tinha os autores nacionais começando a despertar para divulgações nacionais. Entravam em contato com blogs que gostavam, que poderia ter afinidade com o gênero do livro e enviava o mesmo para o criador ler e fal...
Primeiro de tudo, quero recomendar. Achei divertido, não ficou algo bobo nem infantilizado (que é sempre algo que criticamos se acontecem adaptações, principalmente as atuais).
O filme começa com o casamento de Morticia com Gomes Addams. A família Addams está sempre procurando novos lugares para morar, pois sempre entram em conflito com "humanos normais". Enfim, eles acham um antigo manicômio amaldiçoado que podem chamar de lar. O filme, então, tem um pulo de 13 anos, vindo para os tempos atuais, onde Feioso e Wandinha já nasceram e estão crescidos.
O enredo gira em torno do condomínio residencial Assimilação - dito para ser a vizinhança perfeita. Quando o pântano em volta da mansão Addams é drenado, a mansão é revelada para seus novos vizinhos da Assimilação, o que incomoda demais a antagonista do filme.
Particularmente adorei o nome assimilação, uma pista indireta para o que a antagonista quer realizar: um bairro onde tudo é igual, todos os cidadães tem seu papel e seguem todas as regras estabelecidas para todos serem praticamente um só pela comunidade (isso me lembrou um episódio de Rick e Morty da 2ª temporada que há um alienígena chamado assimilação onde transforma o planeta em um ecossistema perfeitamente equilibrado, sem defeitos).
Assimilar tem o significado de absorver e incorporar (uso, costume, técnica, cultura, modo de agir etc); ser absorvido e incorporado. E é isso que parece que vemos no condomínio Assimilação: todos sendo absorvidos e seguindo uma única ordem, um único caminho que está correto, todos agindo igual e obedecendo a antagonista.
E é por isso que a esquisitice dos Addams incomoda tanto: pois a individualidade de cada um causa estranheza.
Em pleno 2019 um filme como esse pode trabalhar a individualidade de uma pessoa e como isso pode incomodar a sociedade que o envolta. Isso pode parecer exagero, mas é o que vemos todo dia com o que acontece com minorias (seja comunidades negras, LGBT, ou algo ainda mais básico, como alguém de gostos e hábitos um pouco diferente do que o convencional). O ato dessa pessoa por si só já pode ser considerado um ato de protesto. E isso acontece com qualquer minoria em qualquer parte do mundo.
Um filme que aborde essa temática de forma sutil e leve, até mesmo cômica merece ser assisto. Sei que o que eu penso e analiso sobre o filme pode não agradar fãs mais ávidos dessa franquia e pode nem ser o que pensaram de proposta ao filme, mas acho fantástico assistir algo e ter tantas entrelinhas para se trabalhar além do roteiro.

Comentários
Postar um comentário
Seu comentário é muito importante para o crescimento, amadurecimento e manter a qualidade do blog.
Todos os comentários serão respondidos, então marque as notificações!
Deixe seu link no comentário, terei o prazer de retribuir a visita.
Segui. Segue de volta? Se eu gostar, seguirei com prazer!
Beijinhos da Miaka-chan =*