Eu sempre gostei de coisas místicas, bruxas, garotas mágicas... Talvez por nascer na sexta, 13, eu acabei tomando para mim esse gosto peculiar para magias e misticismo. E quando eu era uma jovem adolescente, existia uma revista chamada W.I.T.C.H. publicada pela Editora Abril que trazia história serializada de um grupo de garotas mágicas que tem como dever proteger portais de uma terra mística. Foi aí, caros leitores, que eu descobri o poder maior dos quadrinhos (para quem era habituada apenas com coisas tipo Turma da Mônica e Mickey clássico, esses quadrinhos abriram horizonte). Peguei, infelizmente, o barco andando, então nunca consegui as primeiras edições na época (e estou pensando em completar a minha coleção como meta — igual fiz com os Ursos da Parmalat, e consegui!). Então na época nunca cheguei a ler na íntegra. Mas agora, por meios não oficiais, consigo ter acesso a história clássica e resolvi, enquanto espero o primeiro volume do Reboot que será lançado pela Unive...
Primeiro de tudo, quero recomendar. Achei divertido, não ficou algo bobo nem infantilizado (que é sempre algo que criticamos se acontecem adaptações, principalmente as atuais).
O filme começa com o casamento de Morticia com Gomes Addams. A família Addams está sempre procurando novos lugares para morar, pois sempre entram em conflito com "humanos normais". Enfim, eles acham um antigo manicômio amaldiçoado que podem chamar de lar. O filme, então, tem um pulo de 13 anos, vindo para os tempos atuais, onde Feioso e Wandinha já nasceram e estão crescidos.
O enredo gira em torno do condomínio residencial Assimilação - dito para ser a vizinhança perfeita. Quando o pântano em volta da mansão Addams é drenado, a mansão é revelada para seus novos vizinhos da Assimilação, o que incomoda demais a antagonista do filme.
Particularmente adorei o nome assimilação, uma pista indireta para o que a antagonista quer realizar: um bairro onde tudo é igual, todos os cidadães tem seu papel e seguem todas as regras estabelecidas para todos serem praticamente um só pela comunidade (isso me lembrou um episódio de Rick e Morty da 2ª temporada que há um alienígena chamado assimilação onde transforma o planeta em um ecossistema perfeitamente equilibrado, sem defeitos).
Assimilar tem o significado de absorver e incorporar (uso, costume, técnica, cultura, modo de agir etc); ser absorvido e incorporado. E é isso que parece que vemos no condomínio Assimilação: todos sendo absorvidos e seguindo uma única ordem, um único caminho que está correto, todos agindo igual e obedecendo a antagonista.
E é por isso que a esquisitice dos Addams incomoda tanto: pois a individualidade de cada um causa estranheza.
Em pleno 2019 um filme como esse pode trabalhar a individualidade de uma pessoa e como isso pode incomodar a sociedade que o envolta. Isso pode parecer exagero, mas é o que vemos todo dia com o que acontece com minorias (seja comunidades negras, LGBT, ou algo ainda mais básico, como alguém de gostos e hábitos um pouco diferente do que o convencional). O ato dessa pessoa por si só já pode ser considerado um ato de protesto. E isso acontece com qualquer minoria em qualquer parte do mundo.
Um filme que aborde essa temática de forma sutil e leve, até mesmo cômica merece ser assisto. Sei que o que eu penso e analiso sobre o filme pode não agradar fãs mais ávidos dessa franquia e pode nem ser o que pensaram de proposta ao filme, mas acho fantástico assistir algo e ter tantas entrelinhas para se trabalhar além do roteiro.

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