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Resenha || Eu, Dommenique

Eu, Dommenique foi meu segundo contato com o universo sadomarsoquista. Como disse no vídeo, eu já li Cinquenta Tons de Cinza. E foi pelo sucesso que este livro fez na época que fez as editoras se voltarem para o gênero. E foi por um outro sorteio que este livro veio parar nas minhas mãos (para quem não sabe, Cinquenta Tons também ganhei em sorteio).

Esse livro tem uma pegada totalmente diferente. Primeiro porque se trata de uma dominatrix. Segundo porque é uma história real. Sim, não é uma ficção.

E não se trata apenas de sexo. Na verdade quase não existe um contato sexual. Tudo é mais sedução e um jogo. Há mais malícia e demonstração de poder. Mais psicológico do que físico.

Também há o outro lado dessa história e o quanto isso afeta psicologicamente a Dommenique. Isso tudo pode até ser tentador, mas não é fácil e não é para qualquer um.

Adorei a experiência da leitura. Não recomendo para todos, é claro.

No vídeo abaixo faço uma resenha do livro. Posso parecer meio estranha, sem as piadinhas e até meio desconfortável e é mesmo. É estranho ainda falar abertamente sobre esses tipos de assunto, principalmente em tempos que vivemos. Ainda é tabu, é vergonhoso falar de coisas que geralmente deveria ficar em segredo entre as quatro paredes. Em atuais circunstâncias falar de sexo ou/e prazer é quase pedir guerra e com atuais acontecimentos, tudo deve ser abafado e escondido.

Esse vídeo é antigo, de 2015. Programei ele para dia 31 (hoje). Aconteceu alguns dias atrás uma barbárie que chocou o mundo. Me perguntei se ainda o postaria ou esperaria mais um pouco (afinal, ele já estava em meu estoque de vídeo já faz quase 1 ano, esperar mais um pouco não faria diferença, certo?). Sim, eu tive essas dúvidas e decidi, mesmo assim, postar.

Mesmo que toda uma sociedade ache escandaloso a vida que Dommenique escolheu (e que esse livro possivelmente poderia vim a incentivar algo similar) e a julguem, a escolha é dela (e posso garantir que ela não incentiva a fazer o mesmo e não vou sair sendo igual a ela só porque li este livro). E acho que devemos comentar sobre esse lado da moeda também.

As pessoas vão sempre julgar, falar mal, apontar. E sempre se tem que cada vez mais expor as coisas e mostrar que se tem que falar dos tabus impostos. Acho que só quando se tiver um dialogo aberto, as coisas tomarão outros rumos.

A mulher não é um objeto para agradar e dar prazer ao homem. Primeiro que nem somos objetos e não estamos aqui para servir ninguém. Também é direito da mulher ter seu prazer e procurar ter sempre. E isso foi um dos pilares que Dommenique explora em seus relatos.

Ela foi corajosa a seguir com o plano que daria prazer a ela. E muitos já julgaram ela (e vão continuar julgando quando olharem o livro, olharem as fotos dela, olharem seus relatos, olharem ela na rua). Mas ela não tem vergonha de mostrar tudo isso e contar no livro.


E hoje vos digo, eu não tenho vergonha de dizer que eu li o livro dela. E que gostei de ter lido e quando tiver um tempo, vou reler com certeza! 


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