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[Resenha] A Espada de Kuromori

“Relaxe. Isto é mais seguro do que dirigir um carro. Tente não pensar em estar amarrado dentro de um tubo pressurizado de metal que pesa mil toneladas, onze quilômetros acima do chão e viajando a mil quilômetros por hora. Tudo perfeitamente seguro”

É um livro totalmente viciante. O autor Jason Rohan é um ex-roteirista da Marvel e passou cinco anos no Japão como professor de inglês. Só por essa informação pode sentir o naipe desse livro. A Espada de Kuromori é uma narrativa mergulhada no folclore e cultura do Japão e leva ao leitor a fazer uma verdadeira viagem por esses assuntos.

Camisa e Capa do livro
Foto retirada do Acervo Pessoal

No livro, há muitos termos em japonês e um glossário no final do mesmo para consulta, mas, para mim e muitos fãs de mangá, alguns desses termos já são bem conhecidos. Mas não é preciso um conhecimento vasto de quadrinhos orientais para ler esse livro, já que tudo é detalhado, tanto na narrativa, tanto no glossário. Só queria que o recurso do glossário fosse colocado como notas de rodapé, assim evitaria o trabalho de ir lá no final do livro procurar o termo (já que no final do livro vem as páginas do segundo volume para degustação e acaba causando uma confusão desnecessária quando for procurar o glossário).

A leitura ainda foi mais prazerosa porque, a medida que o autor vai apresentando as criaturas do folclore, eu fui reconhecendo e lembrando de varias outras obras que tem a base na mesma cultura japonesa.

“Acredite em si mesmo, confie nos seus sentimentos, faça o que é certo, especialmente quando é mais difícil, e sempre tenha um pepino com você quando estiver perto de água doce”

Kenny, o protagonista do livro, não faz o tipo “herói” de um romance, muita das vezes deixando ser salvo por sua parceira Kiyomi. Irônico, apesar de está correndo risco de vida, eles se dão bem (tendo praticamente a mesma idade e um passado trágico que meio que une eles).

Kiyomi também não fica atrás, não faz juz à “mocinha” de filmes, que tem que ser salva pelo herói protagonista. Aqui, como em muitos mangás, ela é a heroína forte e inteligente. E adoro poder dizer que ela é uma personagem independente, como em muitos mangás. Mas apesar de ser forte e saber se defender muito bem, ela tem também seu lado feminino,o que deixa mais evidente que carregar o peso de “salvar o mundo” é algo difícil para uma adolescente. Mas nunca falaram que ser herói é fácil.

“As profecias só se tornam verdadeiras quando os homens agem em função delas”

O que une a Kiyomi e o Kenny nesse universo fantástico explorado no livro é uma profecia que Kenny há de cumprir em solo japonês. Profecia que antes de pisar no país estrangeiro, ele nunca sonhara que existiria. E que pior: ele teria que fazer tudo em 9 dias. Profecia simples e que se não for cumprida o preço pode sair caro: a destruição da humanidade.

“Só de cair. Porque só há turbulência quando vocês servem a comida? É de propósito, para derramar as bebidas de todo mundo?”

Para ler o livro você não precisa ser um aficionado por mangás. Precisa apenas gostar do gênero de aventura e ação que é a premissa do livro de Jason Rohan. É a estréia do autor em livros, e esse é o primeiro livro da série que promete histórias recheadas da mitologia japonesa e aventuras no estilo de heróis de quadrinhos. E tem um bônus nas ultimas páginas do livro, com as primeiras de seu próximo livro (o volume 2) e realmente as expectativas sobre o livro estão muito altas!!!

Espero que assim como eu, quem ler adore o livro!


E ainda em dezembro quero fazer um vídeo sobre o livro no nosso canal, em um quadro totalmente novo que estou idealizando. É só eu melhorar da rouquidão! 

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