Autor de Valente, lançado atualmente pela Panini.
Autor de Duotone, de lançamento
independente e autor das tirinhas online de Puny
Parker, que conta a infância de Peter Parker (o homem aranha), tenho o
prazer de anunciar o mais um de nossos convidados nessa Maratona do Quadrinho Nacional: Vitor Cafaggi, que nos
concedeu uma bela entrevista!!
Um Sofá: É uma honra tê-lo como convidado
aqui no Um Sofá. Obrigada por nos conceder um pouquinho do seu tempo para essa
entrevista.
Vitor
Cafaggi: É um prazer.

Vitor
Cafaggi: Sempre quis fazer quadrinhos. Era o que eu mais queria quando
era criança e até uns 20 anos. Depois da faculdade deixei de lado um pouco o
sonho pra tentar realizar um trabalho de gente grande, mais estável. Trabalhei
como designer gráfico por um tempo, tive minha própria empresa, depois fui
diretor de arte em uma grande empresa. Mas, depois de um tempo, já com uns 27
anos, voltei a sentir essa vontade fazer meus próprios quadrinhos. Eu li
histórias em quadrinhos a vida inteira, acho que era natural que, uma hora, eu
quisesse contar minhas próprias histórias.
Um Sofá: Cada desenhista tem um traço, que
é sua marca registrada. Demorou muito para você adquirir o traço que possui
agora? Como foi para encontrar seu traço?
Vitor
Cafaggi: Não sei definir meu traço. Não é um estilo específico, sabe? Ele é uma mistura do que eu sou,
de tudo que eu gosto e até do que as pessoas enxergam nele. Sobre
artistas, os trabalhos dos Bill Watterson e do Charles Schulz
são, com certeza, minhas grandes influências. Considero as histórias do
Calvin como a melhor coisa já feita em quadrinhos. E Peanuts é a base de
tudo. Mais recentemente, me inspira bastante os trabalhos de Jeff Smith,
Bruce Timm, Skottie Young, Sonny Liew, Juanjo Guarnido e Kyle Baker.

Vitor Cafaggi: As ideias das duas histórias de Duotone surgiram a partir de imagens que
eu imaginei e depois desenhei em meu caderno de rascunhos. Primeiro, me veio à
cabeça a cena de um garotinho, usando capa, de frente para a cidade, de costas
para o leitor, como se ele estivesse no alto de um prédio e pensasse "essa é a minha cidade, o meu
lugar". A ideia da segunda historia veio quando desenhei um garotinho de
casaco caminhando e olhando para o lado, como se algo no chão chamasse sua
atenção. Segundos depois desenhei um robô bem na direção do olhar dele. Juntei
as duas historias em uma revista, justamente por elas serem tão diferentes, mas
com alguma coisa em comum. São dois tons. É como se a primeira historia fosse a
refeição completa e a segunda, a sobremesa.
Um Sofá:Como surgiu a ideia de fazer
tirinhas inspiradas na infância de Peter Parker?

Um Sofá: Ainda falando em “Puny Parker”,
porque as temporadas acabaram? Em uma busca rápida no facebook até existe uma
fanpage com o nome “Volta Puny Parker”, é possível que algum dia esses fãs podem
voltar a ver novas tirinhas? Ainda podemos ter esperança?

Um Sofá: Notei que o pequeno Parker e
Valente se parecem muito na personalidade (ou foi só impressão minha). Foi
proposital essa semelhança? Valente e o pequeno Parker podem ser também
considerados biográficos?
Vitor
Cafaggi: Sim, os dois têm muito de
mim. O Puny meio que representa a infância. Já o Valente é a adolescência.
Um Sofá: Falando agora sobre “Valente”,
você esperava que o titulo fosse fazer tanto sucesso?
Vitor
Cafaggi: Não tinha pensado nisso.
Faço as tirinhas do Valente pensando em mim, em um tipo de HQ que eu gostaria
de ler, mas ainda não li. Faço essas tirinhas pra me divertir. Não imaginava
que tanta gente ia se identificar com elas.
Um Sofá: Como foi encontrar uma editora
para publicar “Valente”? Você tentou várias até obter sucesso ou lhe procuraram
com interesse em seu titulo?

Vitor Cafaggi: Na verdade, foi a Panini que chegou com uma proposta para publicar Valente. Nunca tinha procurado uma editora. A conversa com a Panini começou em 2012, durante o FestComix, em São Paulo, enquanto eu lançava o segundo volume, Valente Para Todas. Nessa primeira conversa, a editora demonstrou interesse em lançar tanto o Valente, quanto o Puny Parker. Ao longo de 2013, continuamos conversando sobre essas duas possibilidades. A Panini continua tentando viabilizar a publicação do Puny Parker com a autorização da Marvel, o que seria o máximo. Pouco antes do FIQ, mais uma vez em uma decisão bem em cima da hora, fechamos essa parceria em relação ao Valente. Pra mim, está sendo ótimo porque as revistas com a Panini chegaram a lugares que eu, como independente não consigo chegar. Elas chegaram em bancas há algumas semanas. Outro ponto positivo é que não preciso mais me preocupar com a distribuição, com o controle das vendas e o envio das revistas, sobrando mais tempo pra escrever e desenhar. Somente durante os meses de junho, julho e agosto desse ano, vendi e mandei mais de 600 revistas pelo correio. Isso toma muito tempo. Fora que produzir uma série de quadrinhos de forma independente vai ficando cada vez mais difícil à medida que a série vai crescendo. Por exemplo, pra cada volume novo do Valente que sai, é importante que eu tenha os volumes anteriores disponíveis à venda. Porque acaba que o lançamento da edição mais nova, puxa o interesse dos leitores para os volumes anteriores. Nesse FIQ, se eu quisesse fazer uma nova tiragem dos esgotados Valente #1 e Valente #2 pra acompanhar o lançamento do terceiro, eu ia precisar de, no mínimo, R$14.000,00 pra impressão. Aí já começa a ficar cara essa produção. Já teria que procurar outros meios, como crowdfunding, pra viabilizar isso. Publicar um quadrinho independente, investir cinco ou seis mil reais pra fazer uma tiragem de mil ou de dois mil exemplares é uma coisa, fazer isso com uma série já é bem mais complicado. Espero muito que continue dando tudo certo com a Panini.
Um Sofá: Já tem planos para algum novo
titulo? Quais os planos futuros para a carreira?
Vitor
Cafaggi: Planos eu tenho. Tempo
pra fazer isso, não agora. Mas tem muita coisa pra acontecer nos próximos anos.
Um Sofá: Antes de finalizar, quando vai
sair o volume 4 de Valente? Estou ansiosa (risos)!
Vitor
Cafaggi: O quarto livro do Valente
sai em agosto.

Vitor
Cafaggi: Um abraço pra todo mundo.
Independente do que você quiser ser da vida, corre atrás. Vale muito a pena.
Foi realmente um prazer
poder fazer essa entrevista com Vitor Cafaggi e conhecer esse autor e
desenhista que tanto admiro. Com toda a certeza, muitos outros admiram e são
fãs de seu trabalho. Continue sempre assim!
Acho importante a entrevista constar a data em que foi realizada.
ResponderExcluir