[Entrevista] Sheila Schildt

Escrito por Miaka J. S. Freitas - quarta-feira, julho 30, 2014

Acomodados do Um Sofá, hoje trouxe uma nova escritora para nossa coluninha entrevistas! Espero que se sinta a vontade aqui no Um Sofá e é uma honra tê-la aqui um pouquinho para nos falar do livro Sangue na Lua.

Um Sofá À Lareira: O que lhe inspirou fazer Sangue na Lua?
Sheila Schildt: Bom, a história é um pouco longa... Sou Psicóloga e em 2011 atendia em consultório particular, quando surgiu a demanda de um Parecer Técnico de uma de minhas pacientes. Foi quando percebi o quanto minha escrita estava “enferrujada” e senti a necessidade de voltar à escrever – o que eu vinha fazendo muito pouco desde o término de minha formação, em 2009. Mas eu não conseguia achar tempo e motivação para tal, afora a dúvida: escrever o que? Para quem?
Foi quando vi um anúncio do blog Dear Book, que estava selecionando novos colunistas, e resolvi participar como resenhista de obras nacionais, num primeiro momento. Neste ínterim, a equipe do blog teve a idéia de escrever contos para “especiais” de Halloween e Natal, quando me aventurei a escrever o primeiro.
Desde então, passei a escrever contos nas horas vagas e “Sangue na Lua” é uma coletânea com 12 deles, 3 já publicados pelo Dear book e algumas antologias, os outros 9 inéditos.

Um Sofá À Lareira: Vi que você optou pela psicologia em vez de Letras. Por quê? E em que essa área lhe ajuda no momento de escrever?
Sheila Schildt: Nunca pensei em ser escritora. Psicologia é minha profissão. Mas foi na redação dos trabalhos para a faculdade que comecei a receber feedbacks positvos à respeito de minha escrita. Na verdade, não me sinto uma autora, e “Sangue na Lua” é uma experiência, e confesso que estou um pouco ansiosa pelo resultado.
Já transpus muito da minha experiência para as páginas, até como uma forma de elaborar o Real difícil dos atendimentos na Assistência Social. “Um (algumas vezes verdadeiro) conto natalino” é um exemplo de mosaico de situações já atendidas. Esse conto, que ficou entre os 20 primeiros no 1º Concurso de Contos Aparício Silva Rilo, e me rendeu a indicação de melhor contista 2013 pela editora Mágico de Oz, é um conto de horror, não terror, onde o monstro é Real, e narro uma situação que acontece todos os dias em muitos lares brasileiros.

Um Sofá À Lareira: Quais os seus Hobbies quando não está escrevendo um livro?
Sheila Schildt: Adoro ler. E ler. E, de vez em quando ler. Ah, e comprar livros também, sou uma grande acumuladora. E lê-los, claro.

Um Sofá À Lareira: Quem são as pessoas que mais lhe apoiaram nesse projeto?
Sheila Schildt: Em primeiro lugar e principalmente meu marido. Se não fosse por ele, seu incentivo, apoio, confiança, carinho, esse livro não seria publicado, continuaria apenas escrevendo contos e os “espalhando” por ai. Foi meu marido que me incentivou a participar de antologias, concursos, e enviar o manuscrito para as editoras para tentar publicá-lo. E, claro, tive também apoio de familiares e amigos, que cederam gentilmente de seu tempo para lê-los e sugerir modificações e correções.

Um Sofá À Lareira:Você tem autores que lhe inspiram? Quais são?
Sheila Schildt: Sim. Gosto muito de Stephen King, Edgar Alan Poe, Agatha Christie.

Um Sofá À Lareira: Já anda pensando em um novo livro? Poderia comentar um pouco sobre ele?
Sheila Schildt: Como eu disse, Sangue na Lua é uma aposta; não sei se será do agrado do público, ou dos fãs de fantasia, suspense e terror e horror. Mas já tenho outros quatro contos prontos, só não decidi ainda como irei lança-los – se em uma antologia, ou novamente de maneira independente. Mas meus contos tem ficado mais extensos e densos – o que ainda não sei se é bom ou ruim! Mas isso o tempo dirá.

Um Sofá À Lareira: O que te levou a escrever livros? Da onde surgiu a idéia de se tornar escritor?
Sheila Schildt: Faço parte da equipe de resenhistas do blog Dear Book, e surgiu a idéia entre os participantes de escrever “especiais” de Halloween e natal. Foi quando escrevi meu primeiro conto, “Escuro”, e fiquei surpresa com a receptividade dos leitores do blog, o que me encorajou a escrever outros. Incentivada pelo meu marido, comecei a participar de concursos e antologias, e a produzir novos textos. Foi quando percebi que já havia material suficiente para um livro que resolvi procurar uma editora. Mas ainda não consegui me ver como uma “escritora”.

Um Sofá À Lareira: Como decidiu que ser escritor seria sua profissão?
Sheila Schildt: Bom, na verdade essa não é minha profissão. Sou Psicóloga, e trabalho na Prefeitura de Porto Alegre, na área da Assistência Social. Acabo escrevendo nas horas vagas, mais como Hobby.

Um Sofá À Lareira: E a inspiração? O que te inspira na hora de escrever?
Sheila Schildt: Como trabalho com muitas famílias em situação de violação de direitos e risco, algumas vezes acabo me utilizando de situações que vivencio no cotidiano de meu trabalho como “pano de fundo”. Não sei bem o que me inspira... acho que estas situações do trabalho, outros livros, notícias, e até mesmo sonhos as vezes vira contos, mas não tenho muito controle sobre isso.

Um Sofá À Lareira: Para você, o que define ser ESCRITOR?
Sheila Schildt: Não sei. Alguém que escreve? Participo de alguns grupos no facebook que versam sobre essa questão, e vejo que há muita polêmica e opiniões divergentes em torno desta definição. Posso passar essa? (kkkkkkkk) Brincadeira. Mas acredito que talvez fosse mais interessante definir o que é a escrita, para quem se destina, e de maneira se configura. Daí pode – ou não – emergir um escritor. E os leitores o que acham?

Um Sofá À Lareira: Para você, o que é mais gratificante em ser escritor?
Sheila Schildt: Ainda não sei. A aceitação talvez? Afinal, é normal do ser humano querer sentir-se bem quisto. Eu, particularmente, tenho uma relação com a escrita que considero muito difícil de definir. É quase como se fosse um comichão. Eu tenho a idéia, ela começa a me causar incômodo, e preciso escrevê-la. Depois que isso passa, não sei quando acontecerá novamente. Dias. Semanas. Já passei meses sem escrever uma linha. Mas é sempre bom saber que há pessoas que gostam, realmente, daquilo que produzimos.

Um Sofá À Lareira: Qual o maior desafio de escrever e lançar um livro no Brasil?
Sheila Schildt: Puxa. Também não sei. O que sei são das discussões dos grupos de que falei anteriormente – muitos autores para poucas editoras, mais interessadas em obras com texto que vendam em massa do que tenham conteúdo, ou que só se interessam em traduzir obras estrangeiras. Eu fiz do jeito mais simples: contatei uma editora pequena, e paguei opor uma tiragem também pequena. E estou apostando para ver no que isso vai dar. Talvez um novo livro. Talvez continuar postando os contos apenas no blog.

Um Sofá À Lareira: O que significa “Sangue na Lua” para você?
Sheila Schildt: O que me veio à mente – ao escrever o conto que dá título à coletânea – foi uma antiga superstição (que não faço ideia de onde ouvi) de que quando a lua tem um tom avermelhado, prenuncia coisas ruins, tragédias. Acho que foi isso. Teve apoio quando escolheu ser escritor ou muitas pessoas diziam para desistir? Falei muito a respeito com meu marido. As outras pessoas da minha família, amigos, só ficaram sabendo quando eu já havia decidido. E todos que me conhecem sabe que não sou uma pessoa de mudar de ideia...

Um Sofá À Lareira: Um recado a todos os leitores do blog Um Sofá à Lareira que querem seguir a carreira de escritor.
Sheila Schildt: Tentem. Do contrário, vocês nunca saberão se iriam ou não conseguir. E boa sorte para nós!

Muito obrigada por seu tempo Sheila Schildt, e para quem quiser saber mais sobre seu livro e lançamento, pode visitar a página no facebook do livro.


Espero que tenham gostado da entrevista, e deem sugestões outros autores que poderão ser chamados para próximas entrevistas. 

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